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Ação da Petrobras dispara 15%, maior alta desde 1999

Do UOL, em São Paulo

As ações da Petrobras registraram forte valorização nesta quarta-feira (6), após a estatal surpreender o mercado ao anunciar um aumento de 5% no preço do diesel nas refinarias, válido a partir desta quarta.

 O diesel é o combustível mais usado no Brasil, respondendo por entre 45% e 50% do consumo total, o que motivou analistas a elevar suas estimativas para os resultados da petrolífera. A Bovespa, cujo índice principal é muito influenciado pela Petrobras, subiu 3,69%.

As ações ordinárias (com direito a voto) fecharam em alta de 15,16%, a R$ 16,41. É a maior valorização diária desde 10 de março de 1999. Já as ações preferenciais (com prioridade na distribuição de dividendos) avançaram 9%, a R$ 18,05, registrando sua maior valorização diária de fechamento desde 10 de dezembro de 2008.

O bom desempenho da estatal na Bolsa de Valores fez o Ibovespa, principal índice de ações, fechar no azul, com alta de 3,56%.

"Vemos este aumento como uma vitória para a diretoria da Petrobras, que continua a brigar por uma abordagem mais racional para os preços de diesel e gasolina no país", avaliaram analistas do Itáu BBA em relatório.

Reajuste deverá diminuir pressão na Petrobras

O reajuste de 5% no preço do diesel anunciado nesta terça-feira (5) deverá diminuir a pressão por resultados positivos que a empresa vinha sofrendo nos últimos anos.

Atualmente, a estatal vem amargando prejuízos na área de abastecimento, porque importa gasolina para revendê-la, a preços mais baixos, no mercado brasileiro --o governo, controlador da Petrobras, não permite o repasse da instabilidade dos preços do petróleo para os combustíveis.

Segundo a consultoria Economatica, desde dezembro de 2010, a petrolífera perdeu R$ 179,3 bilhões em valor de mercado na Bolsa de Valores.

Melhora das expectativas dos investidores

Após o anúncio do reajuste do diesel, diversas casas de análise divulgaram relatórios ajustando para cima suas expectativas para os resultados da Petrobras.

Analistas do Goldman Sachs elevaram de R$ 73,8 bilhões para R$ 78,1 bilhões a estimativa de Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) da Petrobras neste ano, enquanto a previsão para 2014 foi elevada de R$ 84,1 bilhões para R$ 89,6 bilhões.

O banco também elevou o preço-alvo das ações da petrolífera. A meta para 12 meses para a preferencial foi ampliada de R$ 23 para R$ 24,50. Para as ações ordinárias, o preço-alvo foi elevado de R$ 22,50 para R$ 24,20.

Para a Planner Corretora, embora a diferença entre os preços domésticos ante os praticados no mercado internacional continue elevada, o reajuste eleva a receita, a geração de caixa e o lucro da empresa, além de reduzir a necessidade de novos financiamentos.

A corretora estima que o aumento do diesel terá impacto de R$ 3,8 bilhões na receita da Petrobras em base anual, com efeito praticamente igual na geração de caixa medida pelo Ebtida, já que o reajuste de preços não é acompanhado por aumento de custos.

"Ainda falta muito para os investidores olharem para as ações da Petrobras como realmente atrativas, mas não podemos negar que movimentos positivos têm sido feitos neste ano", destacou a Planner em relatório.

O Itaú BBA elevou sua projeção para o Ebtida da Petrobras em R$ 3,1 bilhões para 2013, ou 4,8%, e em R$ 3,8 bilhões, ou 5,2%, para 2014.

"O aumento no preço do diesel não resolve as incertezas sobre o balanço da Petrobras, mas certamente ajuda", disse o Itaú BBA em relatório.

(Com Reuters)

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