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17/11/2009 - 11h59

Mercado deve repercutir hoje saída de Torós da diretoria do BC


Da Redação, em São Paulo

Os investidores devem repercutir nesta terça-feira a saída do diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Mário Torós. Em nota, o BC informou que Torós deixou o cargo "a pedido, por motivos pessoais". No lugar dele assume Aldo Luiz Mendes, que atualmente presidia a Companhia de Seguros Aliança do Brasil e foi vice-presidente do Banco do Brasil.

A saída já era esperada pelo mercado financeiro. Ele estava no cargo fazia dois anos e saiu poucos dias depois de ter concedido entrevista ao jornal "Valor Econômico" em que relatava informações internas de como o Banco Central combateu a crise econômica.

Na visão do sócio de uma empresa de análise em São Paulo, ouvido pela agência de notícias Reuters, mas que preferiu não ser identificado, a atitude foi uma forma de mostrar ao país que o BC havia agido, sim, para evitar um impacto maior da crise global sobre o país.

"E agido de forma correta, não adotando medidas que nos remetem ao passado, como a adoção de controles de capitais", disse, avaliando ser difícil que Torós não tivesse conversado com Meirelles sobre a entrevista.

O estrategista de uma importante corretora em São Paulo, também ouvido pela Reuters e que pediu para não ser identificado, discorda e avaliou a entrevista como um meio de Torós "dourar a pílula" quanto à atuação do BC na crise em um momento que ele já estava deixando a instituição.

Substituto

Mendes, 51 anos, atualmente preside a Companhia de Seguros Aliança do Brasil. Entre 2001 e 2009, ele esteve no Banco do Brasil, onde ocupou a diretoria de Finanças, depois foi diretor de mercado de capitais e vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores.

Doutor em economia pela Universidade de São Paulo, ele já foi vice-presidente da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima) e integrou os conselhos de administração da BM&F e da Central Interbancária de Pagamentos (CIP).

Para Christopher Garman, analista do Eurásia Group em Washington, a indicação de Mendes foi um "sinal de continuidade."

"Aldo Luiz Mendes tem uma boa reputação. Acho que é alguém com experiência na operação de títulos", afirmou. "Então, não acho que vai impactar tremendamente a percepção dos investidores."

(Com informações de Reuters e Valor Econômico)

 

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