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27/11/2009 - 16h35

Apesar de moratória de Dubai, dólar cai a R$ 1,743

Da Redação, em São Paulo

A cotação do dólar comercial terminou esta sexta-feira em queda de 0,4%, a R$ 1,743 na venda, mas encerrou a semana com ganho acumulado de 0,58%. Embora tenha começado o dia em alta, por conta do nervosismo dos investidores com a moratória bilionária que Dubai decretou na quarta-feira, a tensão foi dissipada ao longo do dia. No ano, a moeda tem desvalorização de 25,29%.

Quando há riscos de crise, uma tendência normal no mercado é que o dólar dispare e a Bolsa caia. Isso ocorre porque os investidores geralmente vendem ações (sujeitas a quedas de preço) e compram dólares (que seriam uma reserva mais garantida). Quando a busca pela moeda aumenta, também sobe o seu valor.

No entanto, a moeda acabou caindo. De acordo com analistas, a alta do dólar nos últimos dias para o nível de R$ 1,75, maior cotação desde o início do mês, estimulou os investidores a venderem a moeda. Com mais oferta no mercado, o preço recuou.

 

"O patamar acabou atraindo um pouco o exportador. Tinha muita gente esperando uma alta, e aproveitou para vender", disse José Carlos Amado, operador de câmbio da corretora Renascença.

De acordo com o operador de uma corretora nacional, que não quis ser identificado, empresas nacionais de grande porte também aproveitaram para internalizar recursos.

Em novembro, a queda do dólar, que ameaçava ficar abaixo de R$ 1,70, foi contida. O governo estava sinalizando a adoção de outras medidas além do imposto sobre capital estrangeiro para tentar frear a valorização do real. Os investidores ficaram esperando uma definição sobre isso.

Por outro lado, o dólar não chegou a se valorizar muito, porque o mercado espera a entrada de capital estrangeiro no país a longo prazo. Com mais moeda aqui, o valor cairia. Além disso, há a previsão de um enfraquecimento do dólar em relação a outras moedas, não só em comparação com o real, segundo Moacir Marcos Júnior, operador de câmbio da corretora Finabank.

Ele prevê que o dólar deve se estabilizar por um tempo entre R$ 1,70 e R$ 1,80. "Mas a tendência é para baixo, porque o país está bem", afirmou.

Apesar da reversão da alta da véspera, dados da BM&FBovespa mostram que os investidores estrangeiros reagiram imediatamente à moratória de duas empresas de Dubai, aumentando as posições compradas (aposta na alta da moeda) em US$ 1,6 bilhão nos mercados futuro e de cupom cambial, para US$ 4,45 bilhões.

O mercado futuro também concentrou as atenções no dia, com a intensificação da rolagem de contratos futuros conforme se aproxima o final do mês. "A liquidez aumentou bastante", disse Rodrigo Trotta, superintendente da tesouraria do banco Banif do Brasil.

(Com informações da Reuters)
 

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