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29/01/2010 - 07h00

Analistas dizem se é hora de comprar ou vender dólar para viajar

Andressa Rovani
Da Redação, em São Paulo

O dólar tem subido bastante nos últimos dias. Para quem tem viagem agendada ao exterior nos próximos dias e semanas, além do arrependimento de não ter aproveitado o período de baixa da moeda americana para encher a carteira, sobra a dúvida: é melhor comprar já ou torcer pela queda?

A dica dos especialistas para quem já está de malas prontas é o caminho do meio: trocar o dólar pelo cartão de crédito. “O ideal é não comprar dólar”, afirma o professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Carlos Alberto Di Agustini. A expectativa é de queda da moeda.

Há 24 dias, a moeda americana, na cotação comercial, valia R$ 1,721, na venda. Nesta quinta-feira, terminou cotada a R$ 1,866. No bolso, isso quer dizer que quem pretende levar R$ 5.000 para o exterior, por exemplo, já perdeu R$ 421,5 desde então.

Ou seja, no começo do ano, quem viajou e pagou as despesas com dinheiro se deu bem. Quem comprou com cartão de crédito e vai pagar a fatura agora sentirá no bolso.

Agora, com a inversão do cenário, o melhor é pagar a prazo, no cartão. “Acreditamos que no vencimento do cartão [ou seja, dentro de um a dois meses], o cenário estará mais tranquilo”, diz Marcos Crivelaro, professor da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista).

Daniel Motta, do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa, ex-Ibmec-SP), também recomenda compras no crédito. “É preciso fazer a conta entre a taxa de câmbio de hoje e sua expectativa no vencimento do cartão”, explica. Como a origem da turbulência no câmbio tem pouca relação com a economia brasileira, diz Motta, a tendência é que a cotação volte a cair com o resfriamento dos ânimos internacionais.

Por isso, quem se prepara para viajar deve ter no bolso apenas o necessário em dólar para compras pequenas, que não poderão ser feitas no cartão, ou para alguma emergência. Nesse caso, na hora de comprar, é preciso levar em conta o dólar turismo, não o comercial, e fazer uma pesquisa para verificar qual tem a melhor taxa de serviço.

Porém a recomendação muda para quem pretende gastar quantias mais altas no exterior. Nesse caso, dizem os especialistas, o ideal é levar metade em dinheiro e pagar a outra metade no cartão. Assim, o turista deixa de perder ou ganhar com a flutuação da moeda.

Férias de julho

Já para quem tem viagem planejada para as férias de julho ou pretende visitar o exterior no final de 2010, o melhor é aguardar. “Quanto mais pra frente for a viagem, o melhor será esperar”, indica Agostini. “A expectativa é a de que o dólar feche 2010 cotado a R$ 1,75, por isso não há motivo para adiantar a compra.”

Mas se o câmbio não demonstrar uma tendência clara nas próximas semanas, Crivelaro recomenda que o turista faça um planejamento para compra quinzenal de moeda, de forma a alcançar, com perdas e ganhos, uma estabilidade nos valores.

Para quem está de olho no dólar como investimento, Agostini é taxativo. “O dólar deve ser encarado como moeda de transação mercantil, não como investimento. Boa parte das aplicações no Brasil tem rendimentos mais interessantes do que a flutuação do câmbio.”

Cenário

A alta da moeda americana verificada nas duas últimas semanas está ligada à sensação de instabilidade na economia mundial, que faz com que os investidores procurem aplicações mais seguras, como o dólar.

Uma consequência disso pode ser vista nos movimentos da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). No começo desta semana, os investidores estrangeiros ampliaram as vendas na Bolsa. Só no dia 26 de janeiro, o saldo de negociação direta foi negativo em mais de R$ 700 milhões. Com isso, em apenas quatro pregões, esses investidores tiraram mais de R$ 2,2 bilhões da Bolsa brasileira.

Com menos dólar disponível no mercado, a moeda americana tende a se valorizar e se tornar mais cara para quem quer comprá-la.
 

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