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06/04/2010 - 17h38

Dólar atinge menor valor em 3 meses, a R$ 1,755; Bolsa cai após 6 altas

Da Redação, em São Paulo

A cotação do dólar comercial encerrou esta terça-feira em queda de 0,45%, a R$ 1,755 na venda. Foi o sexto dia seguido de queda. Com isso, a moeda atingiu o menor valor em 3 meses, quando, em 12 de janeiro, fechou em R$ 1,748. No ano, porém, a moeda ainda acumula ganhos de 0,69%.

Após seis altas seguidas, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em queda de 0,27%, aos 71.097,56 pontos. Apesar de ter aberto em baixa, a Bolsa se manteve em terreno positivo durante quase toda a sessão, para voltar a registrar perdas no final. O Ibovespa (principal índice da Bolsa paulista) ainda acumula ganhos de 3,66% no ano.

Ontem a Bolsa fechou aos 71.289,68 pontos, o maior nível desde junho de 2008, antes do agravamento da crise financeira mundial.

 

Novas entradas de capital externo não conseguiram absorver movimentos pontuais de embolso de lucros, que predominaram na Bovespa nesta terça-feira após 6 altas consecutivas, período em que acumulou alta de 4%.

"Depois de o índice ter atingido o recorde de alta em 22 meses, alguns investidores preferiram tirar um pouco o pé", resumiu Renato Tavares, assessor de investimentos da Intrader.

O evento mais aguardado do dia, a ata da última reunião do Fomc (comitê de política monetária do Federal Reserve, o BC dos EUA), pouco ajudou a guiar os investidores ao pontuar que as condições econômicas dos EUA ainda inspiram cuidados e que o juro no país ainda deve ficar perto do zero por mais tempo que se esperava.

Os investidores também monitoraram notícias de que a Grécia estaria tentando renegociar os termos de um acordo firmado recentemente, em que obteve apoio do FMI e da zona do euro para suporte a um plano de recuperação do país, mergulhado numa grave crise fiscal. As notícias foram desmentidas mais tarde.

Na Bolsa paulista, a ausência de novos dados positivos convidou os investidores a realizar lucros com papéis que subiram com mais força recentemente, notadamente as siderúrgicas. O papel preferencial da Usiminas  ditou o tom, caindo 3,35%, para R$ 60,95.

Os setores imobiliário e financeiro também perderam força. Pior do índice, Redecard recuou 4,6%, para R$ 31,20, no segundo dia seguido de forte queda, após o JPMorgan ter rebaixo a recomendação da adquirente de cartões de crédito de "neutro" para "underweight" (abaixo da média).

O que impediu uma performance mais fraca do Ibovespa foram as blue chips. O papel preferencial da Petrobras subiu 0,2%, para R$ 36,08, na esteira de outra alta na cotação do barril do petróleo. A preferencial da Vale avançou 0,36%, para R$ 49,97.

TAM, que pela manhã anunciou uma parceria com a norte-americana Continental em programa de fidelidade, foi a melhor do Ibovespa, subindo 3,4%, a R$ 31,95.

BM&FBovespa foi um dos destaques positivos da sessão, subindo 1,6%, a R$ 12,55, após um relatório da Bradesco Corretora reiterar a recomendação de compra para o papel, em meio à leitura de que a companhia apurou resultados sólidos no primeiro trimestre.

Moeda

A queda do dólar foi influenciada pelo crescente interesse de investidores estrangeiros no Brasil em meio a uma sessão de ajustes no exterior.

Na contramão, o dólar subia 0,3% em relação a uma cesta com as principais moedas no exterior. O euro era uma das que mais perdiam, com baixa de 0,6% por cento pela volta das preocupações com a Grécia.

O que permitiu um comportamento diferente do mercado local foi, segundo profissionais da área de câmbio, o interesse de investidores estrangeiros no Brasil. A Pimco, maior gestora de fundos de bônus do mundo, citou o real como uma das melhores moedas para se investir no mundo atualmente, por exemplo.

"Tem bastante entrada de estrangeiros, fundos de pensão", disse Marcelo Oliveira, operador de câmbio da corretora BGC Liquidez.

Nos mercados de dólar futuro e cupom cambial, os estrangeiros têm mesmo mostrado que estão mais confortáveis com um viés de baixa da moeda norte-americana. Na segunda-feira, os investidores não-residentes tinham US$ 1,672 bilhão em posições vendidas na moeda, ante US$ 1,216 bilhão em posições compradas no final de março.

O próprio fluxo externo para a Bolsa tem melhorado, revertendo no primeiro dia de abril o resultado negativo que vinha sendo registrado no ano. As entradas no ano agora superam os resgates em R$ 119,2 milhões.

(Com informações da Reuters)


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