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27/04/2010 - 13h55

Agência corta nota de Grécia e Portugal, e Bolsa cai mais de 2%

Da Redação, em São Paulo

(Texto atualizado às 15h41)

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) opera em queda nesta terça-feira pelo segundo dia consecutivo. Por volta das 15h40, o Ibovespa (principal índice da Bolsa paulista) caía 2,41%, aos 67.210,97 pontos (siga gráfico da Bovespa com atualização constante). Veja ainda cotação das ações e fechamentos anteriores da Bolsa. O rebaixamento das notas de Grécia e Portugal pela agência de classificação de risco Standard & Poor's é apontado pelo mercado como principal motivo do desempenho negativo.

Ontem, a queda foi de 0,92%, o que deixou a Bolsa com mais de 2% de perdas acumuladas no mês. 

 

As más notícias vindas do cenário externo, com destaque para o rebaixamento das notas da Grécia e de Portugal pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, pioraram a situação. Quando uma agência reduz a nota de um país, significa que há mais riscos para investir.

"Lá fora, o mercado estressou com os cortes das notas de Portugal e da Grécia, e a queda do Ibovespa se aprofundou", disse o diretor da Interbolsa, Edson Marcellino, em entrevista ao Valor.

A Standard & Poor's (S&P) rebaixou a nota do país em três pontos, de "BBB+" para "BB+", , fazendo com que o país perca o grau de investimento. Assim, a Grécia ficou em área "especulativa" para investimentos ("junk"). A perspectiva é negativa, o que significa que a S&P pode rebaixar o país novamente.

A dívida soberana de longo prazo de Portugal também foi rebaixada, de "A+" para "A-". O rating de crédito de curto prazo caiu de "A-1" para "A-2". As notas têm perspectiva negativa, ou seja, é possível que a classificação piore no futuro.

Para a instituição, a piora na classificação reflete os maiores riscos que Portugal enfrenta agora, com aumento da escassez de financiamento externo e pouca competitividade global.

Ao mesmo tempo, a agência atribuiu nota 4 para as emissões da dívida do país, o que significa a estimativa de que os compradores de bônus possam ter uma recuperação "mediana" (30% a 50%) do investimento no caso de um calote.

O rebaixamento, segundo a S&P, resulta de novas avaliações dos riscos enfrentados pela economia do país. As opções do governo estão escasseando, por causa das baixas perspectivas de crescimento e das crescentes pressões para medidas de ajuste fiscal, diz a agência. "Os riscos de financiamento de médio prazo relacionados à elevada dívida pública estão crescendo, apesar dos planos de consolidação do governo", afirmam os analistas, em nota.

Em dezembro de 2009, a Standard & Poor's já tinha cortado a nota soberana da Grécia de"A-"para"BBB+". Além disso, a classificação foi colocada em perspectiva negativa. No fim de fevereiro, a S & P optou por manter a nota, mas alertou sobre uma nova redução.

Antes mesmo dos anúncios, o mercado adotava maior cautela no pregão, analisando o pronunciamento de executivos do Goldman Sachs no Congresso americano.

Além disso, a fala do presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, também foi avaliada pelos agentes.

O dirigente afirmou que o fracasso em diminuir os déficits orçamentários federais pode causar um"grande prejuízo"para a economia americana no longo prazo.
Bernanke pediu à Casa Branca e ao Congresso que elaborem um plano crível para reduzir a conta vermelha do país, que ficou em US$ 1,4 trilhão no ano passado.

Não conseguir cortar o déficit significa taxa de juros mais altas, não apenas para os americanos comprarem carros, casas e outros bens, como também para o próprio país na hora de honrar seus compromissos da dívida, sustentou Bernanke.

Essa situação, continuou o representante do Fed, pode afetar a atividade econômica nacional e pode fazer com que os empregadores deixem de contratar.

Taxa Selic

Outro fator que preocupa o mercado é que o o Banco Central começa hoje a reunião que define a nova taxa de juros (Selic). Analistas preveem que o Copom (Comitê de Política Monetária) vá aumentar os juros, por causa de preocupações com inflação. Fala-se num aumento de até 0,75%.

(Com informações de Reuters e Valor)

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