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30/06/2010 - 17h47 / Atualizada 01/07/2010 - 08h23

Bovespa tem pior trimestre desde o auge da crise financeira

Da Redação, em São Paulo

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou esta quarta-feira em queda de 1,68%, aos 60.935,90 pontos. Com os resultados negativos dos últimos dois dias, o Ibovespa (principal índice da Bolsa paulista) acumulou perda de 13,41% no segundo trimestre do ano.

O resultado é o pior desde o terceiro trimestre de 2008, quando o Ibovespa despencou 23,80%, no auge da crise financeira detonada pela quebra do Lehman Brothers, em setembro daquele ano.

Em junho o índice recuou 3,35%, marcando o terceiro mês consecutivo no vermelho.

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,39%, cotado a R$ 1,804 na venda. No acumulado do mês de junho, o dólar desvalorizou-se em 0,93%. No semestre, porém, tem ganho de 3,5%.

Para profissionais do mercado, o movimento do dia ilustrou o estado de ânimo dos investidores, em que espasmos de apetite por risco são abreviados rapidamente, tão logo surjam novas incertezas no horizonte.

"Você tem economias precisando se recuperar, mas com altos deficit públicos e sem poder recorrer a novos estímulos fiscais, que tinham permitido uma recuperação inicial", disse Álvaro Bandeira, diretor de renda variável da Ágora Corretora.

O mote desta sessão foi um dado mostrando que o setor privado dos Estados Unidos criou apenas 13 mil empregos em junho, abaixo da mediana das previsões de economistas ouvidos pela Reuters, que projetava a criação de 60 mil empregos.

O dado acirrou o mau humor iniciado na véspera, quando o Conference Board revisou um dado indicando que a economia da China teve um crescimento mais fraco do que o anteriormente estimado no mês de abril.

Com os Estados Unidos recuperando-se de forma irregular, a informação de que os bancos europeus estão com melhores condições de liquidez do que se temia ficou em segundo plano.

De novo, o setor de commodities, principal ligação comercial do Brasil com o mundo, foi o que mais sofreu na bolsa paulista. Em destaque, o papel preferencial (que possui preferência na hora de receber dividendos) da Vale (VALE5) tombou 2,87%, para R$ 37,91.

Simultaneamente, a reação negativa dos investidores a notícias do âmbito corporativo doméstico acentuaram a pressão sobre o Ibovespa.

A pior do índice foi Brasil Foods (BRFS3), caindo 6,32%, a R$ 23,70, após a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) ter recomendado na véspera restrições à união de Perdigão e Sadia, que deu origem à companhia.

O papel preferencial da Usiminas (USIM5) cedeu 3,2%, a R$ 48,11. A empresa anunciou a organização de suas operações de mineração e logística na Mineração Usiminas, e acrescentou que a Sumitomo Corporation vai adquirir 30% do capital da unidade por até US$ 1,93 bilhão.

As empresas de cartões, que começam na quinta-feira a era da competição total, encerrando mais de 15 anos de supremacia no setor, também retrocederam. Redecard (RDCD3) perdeu 5,2%, a R$ 25,50, enquanto Cielo (CIEL3) teve declínio de 4,22%, para R$ 15,20.

Em dia de bastante vaivém, Vivo (VIVO4) terminou o dia com suas ações preferenciais desvalorizadas em 1,9%, a R$ 46,40. O governo português usou sua "golden share" (ações especiais com direito a veto) na assembleia da Portugal Telecom para barrar a venda da participação detida pela operadora portuguesa na Vivo à Telefónica.

Nesta quarta-feira, as Bolsas de Valores europeias fecharam no menor nível em três semanas, registrando o pior desempenho trimestral em mais de um ano, com dados ruins sobre o emprego nos Estados Unidos alimentando temores sobre o ritmo da recuperação econômica.

O FTSEurofirst 300, que acompanha as principais ações da Europa, fechou em queda de 0,23%, a 993 pontos. O índice referencial encerrou o trimestre em queda de 7,9%, a pior performance trimestral desde o primeiro trimestre de 2009.

As principais Bolsas asiáticas recuaram, terminando o segundo trimestre com seu pior desempenho desde o colapso do Lehman Brothers. Investidores se desfizeram de ações e moedas de alto rendimento devido às preocupações sobre financiamento dos bancos na Europa.

A Bolsa de Tóquio fechou com baixa de 1,96% e Xangai recuou 1,18%.

(Com informações de Reuters e Valor)

 

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