UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

14/09/2010 - 16h36 / Atualizada 14/09/2010 - 17h56

Dólar cai pela 10ª vez, vai a R$ 1,708 e tem menor valor desde novembro de 2009

Da Redação, em São Paulo

A cotação do dólar comercial fechou em queda de 0,47% nesta terça-feira (14), a R$ 1,708 na venda. Com isso, a moeda americana registrou a décima baixa seguida e atingiu o menor valor desde 9 de novembro de 2009, quando fechou a R$ 1,702.

Os dez dias seguidos de baixa do dólar representam a maior sequência desde novembro de 2005.

No mês, o dólar perde 2,79%, e, no ano, cai 2,01%. Para conter a queda da moeda,o Banco Central (BC) comprou dólares por duas vezes. Os leilões duplos foram retomados na quarta-feira da semana passada.

Na primeira intervenção, realizada por volta das 11h20, o BC comprou moeda a R$ 1,71. Na segunda operação, às 15h40, a taxa aceita ficou em R$ 1,706. 

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em queda de 0,5%, aos 67.691,85 pontos, em um dia de fortes perdas das ações da Petrobras.

Com o dólar no menor nível desde novembro do ano passado, aumenta a expectativa entre analistas e operadores por medidas adicionais do governo para frear a valorização do real, como um possível leilão de swap cambial reverso (instrumento que equivale à compra de dólar futuro e cria demanda pela moeda, para elevar as cotações).

Nas últimas sessões, os fatores para a valorização do real eram principalmente internos: a capitalização da Petrobras, com capacidade de atrair dezenas de bilhões de dólares ao país, e a emissão de títulos no exterior.

Mas nesta terça-feira o mercado internacional de câmbio também pressionou a favor da valorização do real. Em meio a comentários sobre o programa de compras de ativos pelo Federal Reserve (Fed, o banco centra dos Estados Unidos), o dólar rompeu níveis técnicos em diversos países.

A divisa caiu à mínima em 15 anos em relação ao iene, em dois anos ante o dólar australiano, em um mês frente ao euro e em mais de cinco anos ante o yuan.

Com isso, a estratégia do BC de fazer dois leilões de compra de dólares no mesmo dia, mais uma vez, não conseguiu evitar a valorização do real.

"Como se trata de um fenômeno global, o BC pode fazer um monte de pirueta que provavelmente vai acabar engolindo um real mais forte mesmo", disse à agência de notícias Reuters o estrategista de uma corretora nacional, que preferiu não ser identificado.

Operadores estimam que, após absorver entre US$ 1 bilhão e US$ 1,3 bilhão na sexta-feira, o BC tenha enxugado entre US$ 650 milhões e US$ 1 bilhão na segunda-feira. Os dados são apenas estimativas de mercado e os números oficiais serão divulgados somente na próxima semana.

Atuação

Além das compras, o mercado comenta a possibilidade de um leilão de swap cambial reverso.

A operação, que funciona como uma compra de dólares pelo BC no mercado futuro, atenuaria a alta do cupom cambial, taxa local de juro em dólares, cujo contrato de prazo mais curto subiu a cerca de 2% na BM&FBovespa.

A efetividade do swap reverso no curto prazo é reconhecida por operadores, ao reduzir a oferta de dólares no mercado futuro. Mas, no longo prazo, profissionais comentam que pode ser repetido o roteiro anterior à crise global, quando a cotação caiu abaixo de R$ 1,60 mesmo com os leilões de swap reverso.
Outra possibilidade comentada é a limitação das posições vendidas dos bancos no mercado à vista -que, recentemente, também estão em níveis expressivos, de US$ 13,724 bilhões no fim de agosto.

 (Com informações de Reuters)

Hospedagem: UOL Host