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30/12/2010 - 16h41 / Atualizada 30/12/2010 - 18h51

Dólar acumula queda de 4,42% em 2010, valendo R$ 1,666

Da Redação, em São Paulo

A cotação do dólar comercial fechou em queda de 0,83%, a R$ 1,666 na venda, nesta quinta-feira (30). Com isso, a moeda norte-americana acumulou queda de 4,42% em 2010. Em dezembro, a desvalorização foi de 2,8%. Nesta sexta-feira (31), não haverá mercado de câmbio no Brasil.

O valor do dólar nesta quinta-feira é também o menor desde o dia 18 de outubro, quando fechou com a mesma cotação.

O Banco Central (BC) voltou a realizar leilão para a compra de dólares no mercado à vista. A taxa aceita foi de R$ 1,662.

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em alta no último pregão do ano. O Ibovespa (principal índice da Bolsa paulista) subiu 0,51%, aos 69.304,81 pontos. No acumulado de 2010, a Bolsa registrou alta de 1,04%. No mês de dezembro, o ganho foi de 2,36%.

A valorização do real acontece em um ano marcado por intervenções mais firmes do governo para conter a alta da moeda e de alertas sobre uma "guerra cambial".

Em vários momentos do segundo semestre, analistas apontaram a atuação do governo como um fator que limitou a valorização do real.

Ainda assim, com a queda em 2010, é a primeira vez que o dólar passa a virada de ano abaixo de R$ 1,70 desde a implantação do câmbio flutuante, em 1999.

Vários fatores ocupam o radar do mercado para 2011, provocando opiniões divergentes para taxa de câmbio. Jorge Knauer, diretor de tesouraria do banco Prosper, avalia que é preciso ficar atento ao diferencial de juros entre o Brasil e o resto do mundo, principalmente diante da perspectiva de um aumento da Selic (a taxa básica nacional) logo em janeiro para frear a inflação.

Com juros maiores no Brasil, aumenta a remuneração de investimentos locais. Foi justamente para reduzir a entrada de dinheiro de curto prazo com vistas aos juros no país que o governo instituiu este ano a cobrança de um imposto de 4% sobre a entrada de investimento estrangeiro para renda fixa.

Para Knauer, existe a possibilidade de que o governo seja no começo do ano "um pouco mais leniente com uma possível desvalorização do dólar para tentar um auxílio na política monetária". "A inflação está muito ligada a commodities no exterior, prinicipalmente commodities agrícolas e alimentos."

Mas a porta para novas intervenções está aberta. A última cúpula do G20, realizada em novembro na Coreia do Sul, admitiu que os países podem usar instrumentos para se proteger da desvalorização cambial de outros países.

Cristopher Garman, analista da consultoria estrangeira Eurasia, aventa, por exemplo, a possibilidade de que a isenção do Imposto de Renda sobre os ganhos de capital de estrangeiros em aplicações em renda fixa aqui no país seja eliminada.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou a medida nesta quinta-feira em conversa com jornalistas.

De acordo com uma autoridade do futuro governo, Dilma planeja no início do mandato a desoneração de alguns setores e o aumento de impostos sobre determinadas importações para se contrapor aos efeitos do real valorizado.

Desequilíbrios externos

Em relação ao diferencial de juros no mercado externo, outro fator a ser considerado é a política das grandes economias. Os Estados Unidos, que têm juro praticamente zero, injetarão no primeiro semestre US$ 600 bilhões na economia para baratear ainda mais os empréstimos.

Além disso, os investidores mantêm os ouvidos atentos a dois outros grandes centros: China e Europa.

No primeiro caso, a expectativa de continuidade da alta dos juros pode limitar a valorização das commodities e, consequentemente, a pressão pela queda do dólar no Brasil.

Na Europa, a preocupação é com um agravamento da crise da dívida entre os países que dividem o euro. Um eventual calote, mesmo em um país periférico como a Irlanda, seria capaz de afugentar investidores de aplicações de maior risco.

Internamente, um fator a ser monitorado é o superavit cada vez menor da balança comercial e o efeito disso sobre as contas externas do país.

Embora as exportações tenham batido recorde em 2010, o crescimento das importações engordou o deficit em transações correntes do país para US$ 43,5 bilhões em 2010 até novembro --mais de duas vezes maior que um ano antes.

A estimativa do governo é de que o deficit em transações correntes alcance US$ 64 bilhões em 2011. Como o país depende dos investimentos estrangeiros em carteira para cobrir esse saldo, fica mais vulnerável a eventuais solavancos no exterior --embora, em último caso, possua quase US$ 300 bilhões em reservas internacionais.

"O ideal seria que a pauta (de exportações) fosse marcada por produtos de maior valor agregado que não dependem apenas da formação internacional de preços. Conclusão: os riscos de reversão do cenário positivo se tornam mais elevados", escreveu Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora Souza Barros.

Ao longo de 2010, os preços das matérias-primas, um importante fator para a formação do câmbio brasileiro devido ao predomínio de produtos agrícolas entre as exportações, subiram cerca de 15% segundo o índice Reuters-Jefferies.

Novidade técnicas

Do ponto de vista técnico, o mercado de câmbio terá novidades a partir da metade do ano que vem, com a mudança no cálculo da Ptax (taxa média do dólar calculada pelo Banco Central) e com a introdução de um novo sistema para registro das operações.

A Ptax será obtida a partir de julho como uma média aritmética das cotações do dólar, de forma similar ao cálculo da taxa Libor no exterior. O horário de divulgação também muda, sendo por volta das 13h, e não mais após as 17h.

A Ptax é usada como referência para derivativos e outros contratos. A intenção do governo ao alterar o cálculo é elevar o peso do mercado à vista na formação da taxa de câmbio, reduzindo o volume de operações casadas.

Já o novo sistema para o registro de operações, baseado em trocas de mensagens entre os agentes financeiros, ainda está em fase de desenvolvimento e testes. A previsão do BC é que ele entre em vigor a partir de 30 de setembro.

(Com informações da Reuters)

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