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Crise econômica

Veja os principais destaques sobre a situação nos Estados Unidos e na Europa e entenda as consequências para o Brasil

  • Imagem: Josep Lago/AFP

23/01/2012 - 17h10 / Atualizada 23/01/2012 - 18h10

Dólar cai pela sexta vez, vai a R$ 1,752 e já perde mais de 6% no ano

Do UOL, em São Paulo

O dólar comercial fechou em baixa pelo sexto dia seguido nesta segunda-feira (23), num movimento que refletiu a fraqueza da moeda no exterior em meio ao alívio nos temores relacionados à zona do euro. 

A moeda norte-americana fechou em baixa de 0,40%, cotada a R$ 1,752 na venda. É a menor cotação final diária desde 11 de novembro, quando era vendido a R$ 1,744.

A série de quedas -na qual a moeda já perdeu 2,12%- é a maior desde o final de novembro e início de dezembro, quando o dólar também caiu seis dias seguidos. No acumulado do ano, a taxa de câmbio já recuou 6,22%.

Otimismo com cenário externo

Dois operadores consultados pela Reuters voltaram a atribuir a queda da moeda desta segunda-feira ao tom positivo no cenário internacional, com investidores esperançosos de que a Grécia chegue a um acordo com credores privados para evitar um temido calote de sua dívida. 

Os ministros das Finanças da zona do euro devem decidir no final desta segunda-feira que termos da reestruturação da dívida grega aceitarão como parte de um segundo resgate a Atenas. 

O ministro das Finanças da França, François Baroin, acompanhado de seu contraparte alemão, Wolfgang Schaeuble, afirmou que um acordo entre investidores do setor privado para reduzir a dívida da Grécia está "tomando forma", mas que Atenas precisa manter suas promessas de reforma para garantir um novo programa de ajuda externa e evitar a bancarrota em março.

O ministro francês citou sinais de "certa estabilização" na economia em crise da zona do euro, uma opinião ecoada pelo presidente do banco central alemão, Jens Weidmann, e pelo presidente do BC francês, Christian Noyer, também presente na entrevista. 

Brasil voltou a ser 'a bola da vez'

O gerente de câmbio de um banco nacional lembrou que a trégua nas preocupações com a economia global tem levado investidores a redirecionarem recursos para países considerados estáveis e com elevados rendimentos, como o Brasil. 

"O Brasil voltou a ser a bola da vez. Um juro acima de 10% e uma economia estável como a nossa você não encontra em qualquer lugar", afirmou. 

Mesmo em queda, a taxa básica de juros brasileira, atualmente em 10,5% ao ano, é uma das maiores do mundo, contrastando com rendimentos perto de zero nos Estados Unidos, zona do euro e Japão. 

O profissional pondera, no entanto, que da mesma forma a melhora no sentimento externo está jogando contra o dólar, um eventual aumento da aversão a risco pode dar força novamente à moeda. 

"E nós aqui estamos muito atrelados aos acontecimentos lá fora. Se houver uma notícia ruim, o pessoal pode tirar dinheiro daqui para cobrir perdas lá fora, o que tende a elevar o dólar." 

Nos últimos dias, o país tem recebido dólares. Na segunda semana de janeiro, por exemplo, foram quase US$ 4 bilhões, segundo os dados mais recentes do Banco Central. 

Bolsas internacionais

As principais Bolsas europeias fecharam as sessões com altas, graças ao setor bancário, mas com o mercado cauteloso ante as negociações pendentes entre Grécia e seus credores privados.

As Bolsas de Valores asiáticas interromperam o rali da semana passada, com investidores nervosos sobre o progresso das negociações de swap de dívida na Grécia, que são essenciais para que o país evite a bancarrota. O giro financeiro, porém, foi baixo por causa do ano-novo lunar em grande parte da Ásia.

A Grécia e seus credores privados tinham dificuldade para conseguir um acordo vital para restaurar a confiança na capacidade de refinanciamento da Europa.

Também, resultados empresariais mistos nos Estados Unidos alimentaram preocupações sobre as perspectivas de crescimento global, azedando o humor dos mercados.

(Com informações da Reuters)

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