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21/01/2008 - 18h42

Bovespa cai 6,6%, a maior queda desde fevereiro do ano passado

Da Redaçao
Em São Paulo
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) despencou 6,6% nesta segunda-feira, aos 53.709 pontos. Foi a maior queda desde 27 de fevereiro de 2007, dia em que a perda de 6,63% refletiu a reação dos mercados mundiais frente às perdas na Bolsa chinesa.

No pior momento do dia, o Ibovespa, o principal indicador do mercado de ações, recuou 6,99%. No final da sessão, o volume de negócios ficou em R$ 6,12 bilhões. As ações da Petrobras e da Vale despencaram 7,42% e 10,6%, respectivamente.

'MONTANHA-RUSSA' FINANCEIRA
Marcelo Justo - 27.nov.2007 / Arquivo Folha Imagem
Após um 2007 de recordes e muita euforia, a Bovespa começa 2008 com queda brutal
VEJA O INFOGRÁFICO
O dólar comercial, em sentido inverso, fechou em forte alta de 2,46%, a maior valorização diária desde 28 de agosto do ano passado. O mercado de ações brasileiro já acumula uma queda de 15,93% em 2008.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo permanecerá "com os dois olhos muito abertos" e atribuiu a crise a quem "resolveu ganhar dinheiro fácil".

Incerteza
"É muito difícil saber (se o ajuste já foi suficiente). E justamente essa incerteza é que faz investidores tomarem posição mais cautelosa. Mas certamente nos balanços de bancos e companhias seguradoras lá fora muita coisa (do impacto da crise) já está sendo reconhecido", afirmou o economista-chefe do Banco Itaú, Tomás Málaga.

BOLSAS PELO MUNDO - AMÉRICAS
São Paulo (BRA)Ibovespa-6,60
Buenos Aires (ARG)Merval-6,27
México (MEX)IPC-5,35
MERCADOÍNDICEVAR. (%)
As preocupações dos investidores em relação a uma possível recessão nos Estados Unidos somaram-se a sinais de que a China pode não ser um contrapeso tão eficiente à crise americana.

Isso provocou um "sell-off", um movimento brutal de venda, segundo Ronald Petijean, gerente da Sarasin Expertise.

Nos Estados Unidos, os mercados de ações não operaram, devido ao feriado de Martin Luther King.

Quando as Bolsas dos EUA não abrem, a tendência é de que as de outros países tenham pouco movimento. Nesta segunda, diferentemente, a quantia das transações foi elevada, sinal de grande nervosismo.

BOLSAS PELO MUNDO - EUROPA
Paris (FRA)CAC-40-6,83
Londres (ING)FTSE-100-5,48
Frankfurt (ALE)DAX-7,16
Madri (ESP)Ibex-35-7,54
Milão (ITA)S&P/MIB-5,17
Lisboa (POR)PSI 20-5,83
Zurique (SUI)SMI-5,26
MERCADOÍNDICEVAR. (%)
Brasil
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse hoje que a instituição está pronta para agir preventivamente se for necessário. "A minha mensagem é apenas uma: estamos preparados", afirmou. "Não temos ilusão de que o Brasil está imune à crise, mas entendemos que estamos mais preparados."

Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que descarta medidas para tranqüilizar a Bolsa: "No Brasil, não há necessidade de tomar nenhuma medida, por enquanto. Temos uma solidez econômica que tem sido confirmada freqüentemente".

BOLSAS PELO MUNDO - ÁSIA
Tóquio (JAP)Nikkei-3,86
Seul (COR)Kospi-2,95
Xangai (CHN)Xangai-5,14
Shenzen (CHN)Shenzen-5,08
Hong KongHang Seng-5,49
Manila (FIL)PSE-0,5
Bancoc (TAI)SET-2,93
Kuala Lumpur (MAL)KLCI-2,15
Cingapura (CIN)Straits Times-6,03
Jacarta (INE)JCI-4,80
Mumbai (IND)Sensex-30-7,41
MERCADOÍNDICEVAR. (%)
China
O pessimismo nesta segunda começou com as Bolsas asiáticas, que contaminaram as européias e os (índices) futuros dos Estados Unidos", disse Marcos Forgione, analista da Hencorp Commcor Corretora.

"Tem notícias de que as perdas estão chegando a bancos na China. Na Europa, também há comentários de mais prejuízos de bancos. E aqui, internamente, tem desmonte de carteiras", disse Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros.

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, afirmou que a crise atual é "séria" e disse que ela pode afetar também os países emergentes.

"Felizmente, os países emergentes ainda têm um crescimento relativamente forte e seguirão puxando o crescimento mundial. No entanto, é possível que a crise também tenha conseqüências nos países emergentes, fazendo com que o crescimento seja menos elevado do que o previsto", considerou Strauss-Kahn.

Crise nos EUA
Na última sexta-feira, dia 18, o presidente americano, George W. Bush, anunciou os princípios gerais de um pacote fiscal contra a possível recessão em seu país, proposta que não foi bem recebida por investidores.

"Desde sexta-feira, os investidores esperavam explicações do presidente Bush sobre o pacote de estímulo à economia, mas a incerteza continuou", afirmou Monteiro.

Ainda na semana passada, o mercado avaliou a divulgação de diversos dados que reforçaram a possibilidade de uma recessão na economia americana.

As baixas registradas pelos bancos Citigroup, JP Morgan e Merrill Lynch também contribuíram para o clima de pessimismo.

(Com informações de France Presse, Reuters e Valor Online)

Bovespa Fonte: Thomson Reuters

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