O dólar comercial terminou a semana com alta acumulada de 5,27%. No dia, a moeda fechou com discreta alta de 0,06%, vendida a R$ 1,718. É a maior cotação de fechamento desde 3 de abril.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passou quase o dia inteiro em queda, mas no fim do pregão conseguiu inverter o jogo e terminar esta sexta-feira no azul, interrompendo uma seqüência de cinco perdas seguidas. O Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista, subiu 1,03%, aos 51.939,6 pontos. A perda acumulada na semana é de 6,72%, e, no ano, de 18,7%.
A Bolsa foi ajudada nesta sexta-feira por uma recuperação dos principais índices de Wall Street. O início do dia anunciava a sexta sessão seguida de perdas na Bolsa paulista, após fracos dados sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos. Mas tudo melhorou com uma recuperação no final da tarde em Nova York, liderada por ações de bancos.
O mercado de câmbio começou o dia ainda pressionado pelo cenário global, com o dólar em alta de mais de 1,5% no momento mais tenso. À tarde, no entanto, o câmbio respirou junto com o mercado em todo o mundo.
"Agora está nivelando um pouco", disse Paulo Fujisaki, analista de mercado da corretora Socopa. "Mas eu acho que a tensão vai continuar", ressalvou, lembrando que as incertezas por trás da turbulência recente continuam vivas.
Os investidores debatem a condição das principais economias do mundo após um ano de crise de crédito. Os Estados Unidos, mesmo com ligeira expansão, já fecharam mais de 600 mil postos de trabalho neste ano. Na Europa, a economia teve retração no segundo trimestre.
Em meio à tensão, os investidores "limparam" as posições em mercados mais arriscados e procuraram refúgio em ativos considerados mais seguros --como os títulos do Tesouro norte-americano. O Brasil, segundo analistas, foi especialmente afetado por ter um dos mercados com mais liquidez entre os emergentes.
De acordo com dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros já inverteram o posicionamento no mercado futuro, passando a apostar na alta do dólar diante do real. Na quinta-feira, esses investidores mantinham posição comprada de US$ 1,7 bilhão em derivativos cambiais.
"Este movimento abrupto do preço da moeda americana é extremamente pontual e fortemente estimulado pelas tesourarias dos bancos", escreveu Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, em relatório.
Para a próxima semana, os analistas preferem não cravar uma aposta. O mercado "vai ficar em compasso de espera", disse Fujisaki, atento a novos indicadores da economia global.
A subida do dólar nesta semana não alterou a política do Banco Central, que manteve as compras diárias da moeda para reforçar as reservas internacionais. Nesta sessão, o BC aceitou cinco propostas no leilão, com taxa de corte a R$ 1,7315.
(Com informações da Reuters)