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06/10/2008 - 13h06

Após parar 2 vezes no dia, Bovespa opera em queda forte

Da Redação
Em São Paulo
Texto atualizado às 16h39

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) enfrenta um dia crítico nesta segunda-feira, acompanhando o desmoronamento dos mercados em todo o mundo.

As ações caíram tanto, que o pregão foi interrompido duas vezes em apenas uma hora e meia. A primeira parada do dia, quando a Bolsa recuou mais de 10%, foi de meia hora, entre 10h18 e 10h48. A segunda interrupção, das 11h44 às 12h44, aconteceu após a queda alcançar 15%.

A última vez que a Bovespa havia acionado o circuit breaker por duas vezes no mesmo dia foi em 28 de outubro de 1997.

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Medo do efeito dominó na Europa desata sangria financeira
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Por volta das 16h35, o Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, despencava 7,31%, aos 41.264,5 pontos (acompanhe gráfico com atualização constante).

O desabamento dos mercados mundiais nesta segunda-feira reflete o temor de uma recessão global, segundo analistas consultados pela reportagem do UOL.

"É uma queda livre. A perspectiva ainda é de tendência de baixa e nós não estamos próximos do fundo. Não há razão para comprar nada no momento. O 'spread' entre os preços de compra e venda ainda é enorme", disse a respeito dos mercados europeus Nicole Elliott, analista técnico da Mizuho Securities.

"As pessoas decidiram que os mercados não são capazes de se recuperar e os políticos não têm controle sobre esse processo", afirmou John Haynes, estrategista da Rensburg Sheppard Investment Management.



Interrupções na Bovespa)
Após a segunda parada, não há mais limite de queda. A decisão de uma nova suspensão depende do diretor do pregão.

Essa é a regra normal. No entanto, a Bovespa decidiu, apenas para o pregão desta segunda-feira, estabelecer um teto de queda de 20%. Se atingir 20%, o mercado pára até 16h30, quando então terá mais meia hora (até as 17h, horário normal de fechamento da Bovespa) para funcionar sem "circuit breaker" qualquer que seja a perda. A maior queda da Bovespa em um dia foi de 22,26% em 21 de março de 1990, segundo a assessoria de imprensa da instituição.

Efeito dominó
Os investidores estão com medo do efeito dominó da crise financeira sobre a Europa, o que afeta mercados no mundo todo.

BOLSAS DESABAM NO MUNDO
Moscou-19,1%
Paris- 9,04%
Londres- 7,85%
Frankfurt- 7,07%
Cingapura- 5,61%
Xangai- 5,23%
Hong Kong- 4,97%
Seul- 4,3%
Tóquio- 4,25%
Taiwan- 4,12%
É a terceira vez em uma semana que o sistema de parada da Bovespa é acionado. Na segunda-feira passada, dia 29 de setembro, houve o mesmo problema, mas com apenas uma parada no dia.

Socorro
Embora o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush tenha sancionado na última sexta-feira a lei que autoriza o pacote de US$ 700 bilhões para socorrer os bancos norte-americanos em crise, o mercado não se convenceu e seguiu sem otimismo.

As Bolsas asiáticas, por exemplo, afundaram nesta segunda-feira com os investidores temerosos quanto à eficácia das medidas dos governos americano e europeus para acalmar as tensões nos mercados financeiros.

Noticiário
O Bank of America anunciou que está disposto a gastar até US$ 8,4 bilhões para reestruturar os empréstimos hipotecários dos clientes de sua nova filial Countrywide, adquirida em julho quando estava à beira da falência.

O maior banco dos Estados Unidos afirmou que está pronto para revisar as taxas aplicadas ou renegociar para baixo os empréstimos hipotecários de quase 400 mil clientes do Countrywide, segundo um comunicado divulgado pela empresa.

O governo e os bancos da Alemanha fecharam um acordo neste domingo para a criação de um plano de 50 bilhões de euros para evitar a quebra do Hypo Real Estate (HRE), no mesmo dia do anúncio de que o governo garantirá correntistas e poupadores particulares.

O banco americano Wells Fargo anunciou no domingo à noite que conseguiu anular, com um recurso de apelação, a decisão do juiz de Nova York que ordenava o congelamento da fusão com o Wachovia.

O Banco Central Europeu (BCE) injetou nesta segunda-feira US$ 50 bilhões com vencimento amanhã e a uma taxa de juros marginal de 4% em uma operação extraordinária para colocar liquidez no mercado.

Brasil
O mercado financeiro reduziu a estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2009 pela segunda vez seguida, mas também espera inflação mais moderada no próximo ano.

De acordo com levantamento do Banco Central divulgado nesta segunda-feira, o país deve crescer 3,5% em 2009, levemente abaixo dos 3,55% estimados na semana anterior. Para a inflação, a estimativa é de que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) alcance 4,85% em 2009, pouco abaixo dos 4,9% estimados anteriormente.

(Com informações de AFP, Reuters e Valor Online)

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