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06/10/2008 - 16h39

Dólar salta 7,53% e fecha em R$ 2,20, na maior alta diária desde 1999

Da Redação
Em São Paulo
Texto atualizado às 18h26

A cotação do dólar comercial fechou em forte alta nesta segunda-feira, acompanhando o desabamento das Bolsas no mundo. A moeda saltou 7,53%, para R$ 2,20 na venda. É a maior valorização percentual diária desde janeiro de 1999 e o maior patamar de fechamento desde setembro de 2006.

Para tentar conter o avanço da moeda, o Banco Central voltou a intervir no mercado, com a venda de dólares, mas a operação não foi suficiente.

Pânico é a palavra que reflete a situação dos mercados por todo o mundo, segundo João Medeiros, diretor de câmbio da corretora Pioneer. "Esse é o termo exato para isso, não tem outra coisa."

"Não tem tecnicamente nada que explique isso. Você vai perdendo os parâmetros", acrescentou Medeiros.

O BC colocou à disposição do mercado US$ 2,1 bilhões, mas vendeu US$ 1,468 bilhão. A operação foi realizada por meio de um "swap" cambial (contratos que trocam o rendimento em juros pela oscilação do dólar), entre 13h e 13h30.

O mercado absorveu apenas parcialmente o lote de 41,6 mil contratos, com vencimento em 3 de novembro de 2008. Foram colocados 29,5 mil contratos, a uma cotação mínima de 99,5506. A taxa nominal foi de 6,59%, e a linear, de 6,25%.

A taxa linear é mais utilizada no exterior e considera todos os 365 dias corridos do ano, enquanto que a taxa nominal é mais utilizada no Brasil e considera apenas os dias úteis. Em suas operações, o BC divulga os dois modelos para que os investidores brasileiros e estrangeiros possam comparar melhor as taxas ofertadas.

Com essa operação, o BC tem como objetivo oferecer proteção às empresas - pagando a variação do dólar e, em troca, recebendo juros. Se o dólar subir, os investidores que participaram da operação saem ganhando; se os juros subirem, quem ganha é o BC.

A autoridade monetária não realizava esse tipo de leilão desde 30 de maio de 2006.

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Incerteza
Momentos de incerteza no setor financeiro têm provocado a alta do dólar nos últimos dias. Investidores vendem papéis de maior risco, como ações, trocando-os por dólares, para se refugiarem em aplicações mais seguras, como os títulos do Tesouro americano, considerados o investimento mais seguro do mundo.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve seu pregão interrompido duas vezes nesta segunda. Primeiro, quando a queda alcançou 10%, os negócios pararam por meia hora. Depois, a Bolsa continuou caindo até atingir a marca de 15%, o que levou a uma interrupção por mais uma hora.

A preocupação dos investidores é com o possível efeito dominó na crise financeira iniciada nos Estados Unidos. Bancos europeus têm apresentado dificuldade, o que gera temor de que os problemas americanos se espalhem pela Europa.

(Com informações de Agência Brasil, Efe e Reuters)

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