15/10/2008 - 17h01
Tombo de hoje da Bolsa é só 'ajuste', e não 'pânico', dizem analistas
Sílvio Crespo
Em São Paulo
(Texto atualizado às 17h24)
A forte queda, nesta quarta-feira, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que chegou a interromper os negócios por ter recuado mais de 10%, é apenas um "ajuste" por parte dos investidores, e não uma situação de "pânico", segundo analistas.
"Quando foi anunciado o pacote conjunto (de países europeus, na segunda-feira 13), houve euforia, com as pessoas acreditando que isso se refletiria na economia quase de imediato", avalia o economista Clodoir Vieira, da corretora Souza Barros.
"Mas agora o investidor teve uma percepção maior dos acontecimentos, das informações. As medidas tomadas vão demorar um pouco para chegar à economia real. Isso causa um desconforto para o investidor."
A idéia de que os pacotes não amenizariam os problemas econômicos rapidamente foi reforçada por uma declaração da presidente da unidade de San Francisco do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) nesta quarta-feira. Segundo ela, não houve "nenhum crescimento" econômico no terceiro trimestre e deve ocorrer uma contração nos últimos três meses deste ano.
A previsão para os próximos dias ainda é de volatilidade nos mercados de ações. A tendência é que a instabilidade atinja todos os setores. "As empresas que estão na economia doméstica deveriam sofrer menos. Mas numa queda generalizada dessa, não sobra praticamente ninguém", afirma Vieira.
O economista-chefe da corretora Ágora, Álvaro Bandeira, concorda que não há pânico no pregão desta quarta-feira. Ele avalia que "os mercados vão se normalizando quando as medidas (contra a crise) começarem a fazer efeito". Na sua previsão, isso começará a ocorrer até o final desta semana ou no começo da próxima.