A cotação do dólar comercial nesta terça-feira caiu 3,28% e fechou em R$ 2,182 na venda. No pregão anterior, a queda havia sido de 3,3%. Com isso, a moeda americana, que encerrou 2008 cotada a R$ 2,333, acumula desvalorização de 6,5% nos três primeiros pregões de 2009.
Os motivos apontados por analistas são a melhora da Bolsa de Valores e a diminuição da pressão dos investidores no mercado cambial futuro.
"A queda do dólar ocorre, a princípio, pelo pessoal se desfazendo de posição comprada (no mercado futuro, o que equivale a apostar na alta da moeda americana). Isso acaba refletindo direto no mercado à vista; o pessoal começa a vender, vira efeito manada", avaliou José Roberto Carreira, gerente de câmbio da Fair Corretora.
As instituições nacionais inverteram seu posicionamento no mercado futuro de dólar na virada do ano, segundo a BM&F.
A posição comprada dessas instituições, sustentada há cerca de três meses, aproximava-se de US$ 3 bilhões em 22 de dezembro e veio sendo reduzida até se inverter para vendida, chegando a mais de US$ 1 bilhão na segunda-feira.
Também os investidores estrangeiros reduziram suas posições compradas no mercado futuro da moeda americana em mais de US$ 1 bilhão de sexta para segunda-feira.
Mario Paiva, analista de câmbio da corretora Liquidez, lembra, entretanto, que essa exposição, que vem pressionando bastante o mercado de câmbio especialmente nos dois últimos meses, continuava próxima de US$ 12 bilhões na véspera, segundo dados também da BM&F.
Paiva ainda apontou o cenário externo positivo, a partir das expectativas em torno do plano de estímulo econômico do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, como fator que ajudava a diminuir a pressão sobre o câmbio.
Paulo Fujisaki, analista de mercado da Corretora Socopa, citou que essa perspectiva mais otimista pode simbolizar uma volta gradual da credibilidade nos mercados e a consequente retomada da entrada de dinheiro no país.
Nesta terça-feira, o Tesouro Nacional anunciou a abertura de uma emissão de títulos globais de dez anos nos mercados americano e europeu.
(Com informações da Reuters)