(Texto atualizado às 17h44)As ações do
Banco do Brasil fecharam em forte queda de 8,15%, a R$ 17,35, nesta quarta-feira, dia em que o presidente do banco, Antonio Francisco de Lima Neto, foi exonerado do cargo.
Já o Ibovespa, indicador que reúne as ações mais negociadas da Bolsa, fechou em alta de 0,82%, aos 44.181,98 pontos.
| TROCA DE COMANDO |
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 Bendine, o novo presidente do BB |
 Lima Neto, que deixou o cargo |
UOL ECONOMIA |
No lugar de Lima Neto, assume Aldemir Bendine, 45, que é funcionário de carreira da instituição. A troca de comando no BB levantou temores, no mercado financeiro, de ingerência política.
"O governo está usando o BB e a Caixa como instrumento de política para baixar o spread (bancário) mesmo. O presidente do BB deve ter batido de frente", comentou Laura Lyra, analista da Corretora Ativa.
Para alguns analistas do setor, a troca emite ao mercado um sinal negativo, com o governo lançando mão de medidas heterodoxas para tentar baixar o juro de forma artificial.
"A ingerência política não me permite recomendar compra para os papéis do banco, apesar de o potencial de valorização das ações", disse João Augusto Frota Salles, economista da consultoria Lopes Filho.
Missão: liberar crédito"O Aldemir Bendine assume com um contrato de gestão em que vai se comprometer a agilizar a liberação de crédito, concorrer com os grandes bancos e incorporar novos clientes, aproveitando essa vantagem que tem o Brasil em relação a outros países", disse Mantega.
"Vamos perseguir metas de volume de crédito, ganhar 'market share' [espaço no mercado] em relação aos outros bancos. Para isso, você tem de continuar o que está fazendo, que é baixar as taxas de juros", disse o ministro.
Não é certo, entretanto, o motivo da saída de Lima Neto. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta manhã que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o havia informado de que Lima Neto tinha vontade de sair do comando do BB.
Mas, uma fonte do Palácio do Planalto disse que o governo havia optado por trocar o presidente do BB por "pura incompatibilidade com as políticas do governo".
"Não foi só juros, havia outras questões que justificam a decisão", acrescentou a fonte, referindo-se ao patamar de juros cobrado pelo banco que teria gerado a insatisfação do governo num momento em que se tenta reduzir os spreads bancários no país.
Questionado se o motivo da exoneração eram as taxas elevadas, Lula disse que "a questão dos juros é uma obsessão de seu governo".
(Com informações da Reuters)