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Baixe uma planilha de gastos e aprenda a sair do vermelho

Anne Dias

Neste ano, diferentemente de 2009, o mercado financeiro aposta na subida da Selic, os juros básicos da economia. Quem tem dívida ou depende de financiamento deve se preparar.

"Normalmente as dívidas são pré-fixadas, mas há casos em que o empréstimo oscila conforme os juros", afirma a gestora de investimentos Claudia Kodja.

Dez passos para sair do vermelho

1) Identifique suas dívidas mais caras, aquelas que cobram maiores juros, e esforce-se para pagá-las primeiro
2) Ofereça uma proposta de pagamento para o credor
3) Proponha um desconto para sua dívida
4) Se não puder pagar à vista, parcele o saldo, desde que ele comprometa até 15% da sua renda
5) Insista na negociação. Não aceite um "não pode ser assim"
6) Só faça uma dívida para pagar outra se a segunda cobrar juros menores
7) Coloque prazos para liquidar a dívida
8) Organize seus gastos em uma planilha. Isso ajuda a visualizar o tamanho do estrago
9) Pare de usar cartão e cheque. Só gaste o dinheiro que você tem
10) Redobre a atenção aos pequenos gastos
  • Fonte: consultores financeiros

Ela diz ainda que, os juros maiores alteram a situação do mercado, ou seja, o crédito também vai ficar mais caro.

Se você já está no vermelho, é hora de ter foco. Monte uma estratégia para quitar a dívida. Leia nesta reportagem orientações de consultores e baixe uma planilha no seu computador para ajudá-lo na tarefa.

Primeiro passo

O primeiro passo, diz Kodja, é pagar a dívida mais cara. "Em geral, são aquelas do cartão de crédito e do cheque especial."

A palavra-chave é negociação. Bancos e financiadoras preferem ter o dinheiro em caixa do que um cliente devedor anos a fio.

Quando você entrar em contato com seu credor, peça para ele fazer um levantamento do tamanho da sua dívida e quanto está pagando de juros. Só com esse levantamento você consegue ver como tudo começou. "O ideal é fazer uma proposta de pagamento com um desconto alto para que o devedor possa abrir mão de alguma coisa", diz Kodja.

Esta proposta, explica Kodja, pode ser algo como um abatimento de pelo menos 30% da dívida. E se você conseguir alguma coisa como 10% já pode ser um bom negócio.

Durante a negociação, é importante mostrar-se interessado em sair do vermelho. Mas é preciso ser racional. Não adianta chorar, dizer que alguém está doente na família ou que você vai perder a casa. É preciso tratar do assunto com seriedade, mostrar que você fez todas as contas.

"O negócio dos bancos e das fianciadoras é dar crédito. O devedor é um dos clientes dessas instituições. E é isso o que muitas pessoas não entendem", diz Luiz Simões, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

E, durante todo esse processo, pare de consumir, a não ser o essencial. Aquela calça jeans entrou na promoção? Esquece. O cachorro precisa de uma coleira nova? Deixa para depois. Mochila nova para a filha? Não por hora. O foco agora é pagar o que deve.

Dívida parcelada

O importante é pagar a dívida. Se não der para pagá-la à vista, parcele. Mas não deixe que a parcela ultrapasse 15% do seu salário, para sua renda não ficar ainda mais comprometida.

Outro ponto é colocar metas. "É preciso se comprometer com um prazo. Por exemplo: pagar toda a dívida até o final do ano ou meados do ano que vem", diz o planejador financeiro certificado Silvio Paixão.

Ter meta, afirma Paixão, ajuda o devedor a colocar um limite na situação.

Planilha

Quem não se organizou antes, pode começar agora. E um jeito relativamente fácil é com a ajuda de uma planilha.

"O melhor é escolher um modelo de planilha fácil de ser usada e autoexplicativa", afirma Paixão. Uma planilha chata, cheia de detalhes, que exige horas de organização logo é abandonada.

O bom de colocar tudo no papel é ver para onde o dinheiro está indo. "A maioria das pessoas se esquece dos pequenos valores", diz Paixão.

Mesmo assim, nem todo mundo tem paciência de organizar tudo. "A planilha funciona para poucos", diz o consultor financeiro Luiz Simões, da Fipecafi.

Qual é a saída, então? Simões afirma que normalmente as pessoas conhecem os grandes gastos, como escola, condomínio, financiamentos. "Colocando isso no papel e fazendo algumas estimativas em um mês já dá para saber onde está o buraco no orçamento. Basta ter uma visão geral dos custos."

O UOL Economia enviou algumas opções de planilhas de gasto doméstico para que consultores ouvidos nessa reportagem sugerissem uma opção simples e que funcionassem. Veja aqui qual eles escolheram e faça o download. É grátis.  "Ela é bastante simples e pode ajudar as pessoas a enxergarem onde está o erro", diz Paixão.
 

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