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Saiba investir em ações de empresas que pagam mais lucros

Epaminondas Neto
Do UOL, em São Paulo

Há pelo menos três maneiras básicas de investir na Bolsa de Valores: a primeira é a especulação pura e simples, comprando e vendendo ações no mesmo dia, uma prática reservada para profissionais e que exige dedicação integral.

As outras duas são próprias para os investidores que veem as ações como uma aplicação para um prazo acima de 12 meses ou muito mais. Em uma delas, o poupador adquire a ação ao preço mais baixo possível pensando em vender meses (ou anos) à frente pelo preço mais alto possível.

A outra estratégia, que não exclui a anterior, aliás, sugere que o investidor escolha suas ações, ou fundo de ações, se preferir, pensando no ganho que vai ter na forma de dividendos (lucros distribuídos a acionistas). Toda empresa com ações na Bolsa, e que teve lucros num determinado período, é obrigada a repartir esses resultados com seus acionistas --qualquer um que tenha comprado (e guardado) o papel emitido pela companhia.

Por exemplo, a Petrobras pagou aos seus acionistas R$ 0,20 por ação preferencial em abril (mês em que o papel foi negociado por R$ 21). No mês passado, a AES Tietê distribuiu aos acionistas R$ 0,69 por ação preferencial (quando o papel foi negociado por R$ 22,80).

Corretoras de valores (responsáveis pela negociação das ações na Bolsa de Valores) regularmente recomendam alguns desses papéis aos seus clientes.

Essas ações são selecionadas entre empresas com baixo endividamento (em geral,a receita é maior que a dívida acumulada), que pertençam a setores "maduros", isto é, que já passaram pela fase mais intensa de investimentos, e que tenham uma tradição de distribuir boa parte dos lucros com seus acionistas.

Enquanto a regra da Bolsa de Valores indica que as empresas distribuam pelo menos 25% dos ganhos, algumas dessas empresas boas pagadoras de dividendos repartem quase 100% de seus resultados com os acionistas.

Os especialistas do setor financeiro também pinçam as empresas levando em conta um indicador específico: o chamado "dividend yield", calculado a partir do dividendo pago (ou esperado) e o preço da ação na Bolsa de Valores.

Pode ser entendido da seguinte forma: representa quanto o acionista vai receber de volta (na forma de dividendo) em relação ao que pagou para comprar uma determinada ação.

Em geral, os profissionais do setor financeiro preferem escolher empresas que tenham esse indicador em torno de 6% ao ano. Os relatórios de corretoras e gestores de investimentos sempre trazem essa informação em suas avaliações de empresas, ao lado de outros indicadores financeiros importantes.

"Uma característica interessante desse tipo de ação é que, em momentos de crise, esse tipo de ação não costuma 'desabar' junto com a Bolsa. Por outro lado, quando a Bolsa entra numa fase de euforia, esse tipo de papel não costuma subir tão rápido. É uma espécie de 'porto seguro', com relativa tranquilidade para o investidor que quer permanecer nesse mercado", diz Edgar de Sá, economista-chefe da consultoria Hiperion Invest.

O que o mercado tem indicado

O Banco HSBC divulgou um relatório em que aponta oito ações com o maior rendimento sobre dividendos (o "dividend yield") projetado para 2013.

As apostas do banco para o ano que vem são: a ação preferencial da AES Tietê (rendimento esperado de 13,2% ao ano), a ação ordinária da Light (12,8%), a ação preferencial da Cesp (12,4%), a ação preferencial da Transmissão Paulista 12,2%), a ação preferencial (11,2%) e a ação ordinária (9,7%) do grupo Oi, a ação preferencial da Coelce (10,1%) e a ação ordinária da CPFL (10%).

Apesar da polêmica recente sobre as mudanças nas regras para o setor elétrico, as ações dessas empresas não saíram da lista de sugestões de várias corretoras.

O setor tem pelo duas características buscadas por especialistas: a receita dessas empresas é regularmente corrigida pela inflação; o volume previsto de investimentos para essas empresas é comparativamente baixo. Com menos investimentos a serem feitos, sobra mais lucro para distribuir.

Para quem quer fugir das elétricas, os setores bancário e de telefonia também costumam ser representados nas listas de corretoras.

As ações do Banco do Brasil e da Cielo (administradora de cartões) são os exemplos para o primeiro caso. A corretora Concórdia calcula um rendimento de 7,2% para a ação ordinária do banco e reforça como ponto positivo o baixo nível de inadimplência da empresa na comparação com os rivais do setor privado. Alguns analistas veem com ressalvas o papel do BB devido ao risco de intervenção do governo.

A Cielo é uma empresa do setor financeiro que também é indicada para quem está otimista com o crescimento do consumo no país: a empresa é favorecida à medida em que as pessoas usarem cada vez mais cartões de crédito e débito e mais estabelecimentos comerciais aderirem a esses meios de pagamento.

A corretora UM Investimentos destaca dois riscos para os resultados da empresa: a entrada de novos competidores no país; e a pressão dos bancos, que também distribuem as bandeiras credenciadas pela Cielo.

A Telefônica também é uma presença constante nas carteiras de ações baseadas em dividendos. A corretora Souza Barros estima um rendimento de 7,3% para a ação preferencial neste ano.

Em relatórios aos clientes, os especialistas do banco Bradesco apontam que a empresa é favorecida pela integração entre as operações de telefonia fixa e móvel, e que a desvalorização recente dos preços do papel criou uma "oportunidade de compra".

Por outro lado, a empresa deve sentir a concorrência das rivais Oi e Claro (no mercado de telefonia celular) e da Net e da GVT (no mercado de telefonia fixa e fornecimento de internet banda larga) ao longo do ano ano que vem.

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