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Com economia instável, analistas apontam melhores e piores investimentos

Sophia Camargo

Do UOL, em São Paulo

  • Arte/UOL

Quais são os melhores e os piores investimentos do momento? Com cenário de inflação e taxa de juros em alta, o conselho dos especialistas em finanças pessoais é manter a maior parte dos investimentos na renda fixa. Mas bem longe da caderneta de poupança.

Para Fernando Meibak, sócio da consultoria de planejamento financeiro Moneyplan, o cenário da economia brasileira é de pessimismo, com forte retração econômica, queda do emprego e, consequentemente, da confiança e da capacidade de consumo do consumidor.

"Num ambiente desse, os investidores devem ficar extremamente conservadores em renda fixa. Investir em qualquer produto fora disso é muito arriscado", diz.

Para Ricardo Pereira, consultor do site Dinheirama, a inflação alta é um grande problema para o investidor, por isso é importante buscar proteção e ao mesmo aproveitar algumas boas oportunidades na renda fixa beneficiada por altos juros.

Confira quais são, na opinião dos especialistas consultados, os melhores e piores investimentos do momento:

Melhores investimentos

1) Tesouro Direto (Tesouro IPCA+, papéis ligados à inflação)

Alan Marques/Folhapress

Para Fernando Meibak, os papéis ligados à inflação (Tesouro IPCA+, as NTN-Bs) são a grande estrela dos investimentos no momento, especialmente para investimentos de longo prazo (cinco anos ou mais).

"Com a inflação em alta no Brasil, esse é o ativo que os investidores deve privilegiar." A NTN-B com vencimento para 2019 está pagando 6,60% mais IPCA. Considerando que o IPCA fique em 8%, a rentabilidade é de 15,12% ao ano. Qual ativo paga isso?"

Ricardo Pereira concorda. "Se a inflação continuar nos níveis atuais, ao aplicar R$ 5.000 durante cinco anos, o ganho do investidor seria 58% superior ao do investimento na poupança pelo mesmo período", diz.

2) Tesouro Direto (Tesouro Selic, segue a Selic, taxa básica de juros)

Getty Images

Para investimentos de médio prazo, no máximo dois anos, Meibak sugere que o investidor concentre a aplicação em títulos atrelados à taxa Selic, que no momento estão com tendência de alta.

"Mas acredito que a taxa de juros já esteja perto do teto e deva começar a cair rapidamente, então não recomendo indexação dos investimentos ao CDI por longo prazo. Para o longo prazo, é melhor o título indexado à inflação."

3) LCI

Getty Images

O investimento atrelado a títulos de crédito imobiliário é isento do pagamento de Imposto de Renda. Ambos os consultores consideram o produto excelente, especialmente no curto prazo.

"Sou bastante fã de LCI. Recomendo o investimento que pague acima de 90% do CDI num prazo de seis meses", diz Meibak.

Segundo cálculos de Ricardo Pereira, alguém que investisse R$ 5.000 numa LCI que esteja pagando 99% do CDI no período de um ano, conseguiria um retorno de R$ 603; ou 73% a mais do que na caderneta de poupança no mesmo período (R$ 350).

4) CDB

Shutterstock

Bancos médios oferecem rentabilidade acima de 110% do CDI, informa Meibak, mas é preciso limitar a aplicação ao valor de R$ 250 mil, que é o atual limite do Fundos Garantidor de Créditos.

Cálculos de Ricardo Pereira mostram que, enquanto um investimento de R$ 5.000 na caderneta de poupança renderia cerca de R$ 350 no período de um ano; um CDB que pagasse 100% do CDI teria um ganho de R$ 500; rendimento 43% superior.

Piores investimentos

1) Título de capitalização

Pedro Mrmestre/AFP

Para Ricardo Pereira, o título de capitalização não pode ser sequer considerado um investimento, mas sim um produto para quem gosta e acredita na sorte dos sorteios. "Ele é mais um jogo que uma aplicação de verdade. A história de que você receberá todo seu dinheiro no final é balela. Você vai receber, reajustado, apenas o montante chamado de reserva matemática (provisão de capitalização)", afirma.

Pereira diz que, ao depositar R$ 100 nos três primeiros meses (total de R$ 300), apenas R$ 30 entrariam na provisão. Os outros R$ 270 ficam para o banco. 

"É melhor jogar na loteria", diz Meibak.

2) Caderneta de poupança

Shutterstock

Com a inflação em alta, o rendimento da caderneta, que é fixo em 0,5% ao mês mais TR, perde substancialmente para produtos de renda fixa, além de não oferecer ao investidor a proteção contra inflação.

Em abril, a caderneta teve um rendimento de 0,63%, bastante inferior à inflação medida pelo IPCA, que em abril foi de 0,71%. 

"Mesmo com o desempenho prejudicado, ainda continua sendo o principal investimento para muitos brasileiros, que não percebem que estão perdendo dinheiro com a caderneta", diz Pereira.

3) Fundos imobiliários

Shutterstock

Lastreados em imóveis, esses fundos têm sofrido com a queda nas vendas de imóveis, além de possuírem baixa liquidez (isso é, dificuldade de o investimento ser transformado em dinheiro vivo).

Meibak diz ter uma visão negativa sobre esse tipo de fundo no momento, pois acredita que os preços dos imóveis estão inflados. "Além disso, com a crise, vários prédios irão ficar vazios e isso irá afetar a rentabilidade do fundo. Como são fundos que embutem muito risco, eu não recomendo no momento", diz.

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