O que fazer com o décimo terceiro? De acordo com pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), 37% dos consumidores que foram ouvidos em 70 cidades do país pretendem usar o dinheiro extra para fazer compras. Apesar da tentação, esta não é o destino mais correto para o salário extra. De acordo com Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac, quem está endividado deve se preocupar em se livrar das cobranças.
Se não for possível quitar todas as faturas, preocupe-se pelo menos em abater parte delas, começando sempre pelas que cobram juros mais altos, como as dívidas de cartão de crédito e cheque especial. Para se ter uma idéia da economia que isso pode representar, segundo a Anefac os juros do cartão de crédito estão em, em média, na faixa de 10,46% ao mês (ou 229,96% ao ano) e os juros do cheque especial giram em torno de 7,88% ao mês (ou 148,48% ao ano).
Se o abono foi bom e ainda assim sobrou dinheiro, verifique se há carnês com prestações que embutem juros. Se houver, pode-se adiantar o pagamento das parcelas e pedir a redução proporcional dos juros e demais encargos, condição garantida pelo Código de Defesa do Consumidor.
Ano novo, dívida nova?Quitadas as dívidas, ainda não é hora de partir para as compras. Lembre-se de que janeiro é um mês tradicionalmente pesado em termos de cobranças. Além dos impostos como IPTU e IPVA, ainda há os gastos com material escolar, uniforme e as parcelas que sobraram das compras de Natal.
Para não começar o ano no vermelho, guarde um pouco do décimo terceiro para quitar parte dessas cobranças à vista, o que já significará um bom desconto. Além da redução no preço dos impostos para quem acerta a conta de uma vez, as escolas também costumam dar descontos para quem quita as mensalidades do ano todo de uma só tacada.
Faça uma poupançaSe for possível, reserve uma parte do salário, seja ele o décimo terceiro ou não, para fazer uma poupança. Os especialistas em finanças pessoais lembram que todas as pessoas deveriam ter uma poupança de pelo menos seis meses de salário, para casos de emergência. Ideal mesmo seria que as pessoas poupassem, todo mês, pelo menos 20% do que ganham para garantir o futuro. Neste momento de turbulência nos mercados, é mais prudente investir as economias em fundos de renda fixa ou na poupança.
E se for às compras, não hesite em pedir descontos para pagamento à vista. Evite as compras parceladas e os financiamentos, pois, com a crise, os bancos ficaram avessos à concessão de crédito e os juros estão em níveis ainda mais elevados.