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Investimentos

25/06/2009 06h00

Ações que perderam em 2008 avançam, mas ainda precisam ganhar mais

Sophia Camargo
Qual a situação de quem tem na carteira os dez papéis que mais se desvalorizaram no passado? Conseguiram se recuperar totalmente das perdas sofridas?

Com base no levantamento realizado pelo economista da Corretora Souza Barros Clodoir Vieira no dia 23 de junho (veja tabela abaixo), verificamos que as dez ações que mais perderam valor no ano passado tiveram perdas expressivas em 2008 que variaram de 83,20%, no caso da Rossi Residencial, a 61,9%, caso da Sadia.

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Este ano, porém, estes dez papéis estão todos operando no azul, com altas até acima do Ibovespa, que subiu 32,66% até o dia 23 de junho.

No entanto, esta recuperação não significa que o investidor que comprou os papéis já conseguiu embolsar algum lucro ou mesmo se desfazer do prejuízo.

Liderando as ações que mais se desvalorizaram em 2008, vem a Rossi Residencial, que amargou queda de 83,2% no ano passado, mas já conta com 94,36% de valorização no em 2009, beneficiada pela recuperação do setor imobiliário, impulsionado pela retomada do crédito e pelo programa do governo "Minha Casa, Minha Vida".

AS AÇÕES QUE PERDERAM EM 2008
Fonte: Corretora Souza Barros
Rossi- 83,2095,36 13,33 7,24 84,1
Aracruz- 79,969,24 12,50 2,72 359,5
Gol- 77,208,98 20,63 10,80 91,0
Gafisa- 68,1944,23 29,22 14,97 95,0
VCP- 66,927,92 45,49 19,35 135,1
B2w Varejo- 66,4152,73 62,65 36,10 73,5
Duratex- 66,0348,91 34,34 20,80 65,0
Cesp- 65,0622,87 33,18 18,49 79,4
Cyrela- 61,9243,92 23,37 13,06 78,9
Sadia- 61,9026,67 12,37 4,75 160,4
Ibovespa- 41,22 32,66 66.307
pontos
49.813
pontos
33,1
EmpresaOscilação %
2008
Oscilação %
2009
Maior valor em
12 meses (R$)
Valor em
23/6 (R$)
Quanto falta para recuperar
em %


Tem troco?
Isso significa que quem investiu no papel já conseguiu se recuperar das perdas e ainda leva troco? Não necessariamente. Tudo vai depender de quando o investidor comprou a ação.

Vamos tomar por base a cotação do papel no dia 23. Nesse dia, a ação da Rossi ON fechou em R$ 7,24. Quem apostou na Rossi quando ela estava com seu valor mínimo de cotação em 12 meses (R$ 2,37), já conseguiu um excelente lucro de 205%.

Mas quem comprou o papel quando ela atingiu seu valor máximo de negociação em um ano (R$ 13,33), ainda tem que esperar por uma valorização de 84% do papel (veja tabela acima).

Na onda
Também integrantes do setor imobiliários, Gafisa e Cyrela conseguiram expressivas valorizações, de 44,23% e 43,92%, respectivamente, bem acima do Ibovespa no período. Para voltarem ao valor máximo atingido pelo papel em 12 meses, porém, ainda terão de contar com muitas altas na Bolsa.

É sempre bom lembrar que o desempenho de uma ação não vai necessariamente se repetir. É por isso que comprar ações implica riscos. O desempenho da Bolsa até agora, porém, tem sido mais positivo para aqueles que amargaram grandes perdas em 2008.

É o caso da Duratex, que fabrica acabamentos para o setor da construção e se beneficiou duplamente da onda de recuperação. Subiu 48,91%, embalada também pela recente fusão com a Satipel, que irá criar a oitava maior empresa de painéis de madeira do mundo.

Falta muito
Aracruz e Sadia, que tiveram expressivas perdas com operações de derivativos à época da alta do dólar e fecharam com queda de 79,96% e 61,90% em 2008, se uniram à VCP e Perdigão e conseguiram melhorar o desempenho dos papéis. Em 23 de junho acumulavam ganhos de 9,24% e 26,67%, respectivamente, em suas cotações.

Mas a Aracruz e Sadia ainda estão muito distantes da valorização obtida outrora por seus papéis. Para atingir o patamar alcançado anteriormente, os papéis da Aracruz precisam subir 359,5% e os da Sadia, 160,4%.

Situação semelhante vive as outras companhias que tiveram desempenho aterrador em 2008 e agora conseguem reverter parte das perdas, como a B2W Varejo, empresa do ramo da internet, e a companhia de eletricidade Cesp, que no ano passado amargou o cancelamento do leilão de privatização e agora aguarda definições sobre contratos. Ambas estão com valorização acima do Ibovespa, mas distantes do seu melhor desempenho.

Voo baixo
A Gol despencou 77,20% em 2008, ocupando a terceira posição no ranking e agora obtém uma valorização de 8,98%. Quem aguarda uma recuperação maior da companhia não deve se animar muito, alerta a analista-chefe da corretora SLW Kelly Trentin.

"As ações do setor aéreo tendem a manter o desempenho fraco, por conta de uma série de fatores, como preço do petróleo, acidentes aéreos, desaquecimento da economia e, no caso específico da Gol, a compra da Varig que ainda não trouxe bons resultados para a empresa."

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