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Investimentos

01/07/2009 07h00

Juros foram o melhor investimento do Plano Real

Sophia Camargo
Quem investiu em juros fez o melhor investimento do Plano Real, que completa 15 anos nesta quarta-feira, 1º de julho.

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) - que é a taxa que os bancos utilizam para emprestar dinheiro entre si e que baliza os investimentos em fundos DI - rendeu nominalmente fabulosos 2.044,21%, desempenho bem superior ao segundo colocado, o índice Bovespa, que durante o período acumulou rentabilidade nominal de 1.339,02%, segundo dados levantados pelo professor Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios e pelo economista Sergio Manoel Correia, da LLA Investimentos.

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QUANTO RENDEU DESDE
O PLANO REAL (%)
CDI2.044,21
IBOVESPA1.339,02
POUPANÇA553,72
OURO419,80
IGP-M340,83
FGTS317,35
IPCA246,24
DÓLAR94,87
No período, a inflação medida pelo IGP-M atingiu 340,83% e pelo índice oficial, o IPCA, 246,25%. Bem atrás, na terceira posição entre os melhores investimentos ficou o rendimento da caderneta de poupança, que contabilizou 553,72%, de acordo com dados do Banco Central.

Quem resolveu apostar no ouro viu seu investimento render 419,80%. E quem deixou o dinheiro parado no Fundo de Garantia teve que se contentar com um rendimento de 317,35%. Mas até o fundo de garantia, que rende apenas TR + 3%, conseguiu superar a rentabilidade do dólar, objeto de desejo de muitos investidores. A moeda norte-americana se valorizou apenas 94,87% entre 1º de julho de 1994 e 29 de junho de 2009 e ficou na lanterninha. De acordo com o professor Alcides Leite, da Trevisan, se for descontada a inflação medida pelo IPCA a moeda americana fica com rentabilidade negativa de 43,49%. Um fiasco.

O professor Leite, que também é autor de um livro sobre o Plano Real, avalia que quem foi conservador se deu melhor porque no começo do Plano Real a Bolsa rendia muito pouco e que esta situação só mudou de uns oito anos para cá.

Futuro
Olhar para trás na hora de tomar decisões de investimento daqui para a frente pode não ser uma boa estratégia, alertam os especialistas ouvidos nesta reportagem. Para o professor de Finanças Luiz Jurandir, da Fipecafi, a rentabilidade dos juros foi inflacionada pelos períodos em que as taxas foram elevadas a patamares altíssimos, na casa dos 40% ao mês, logo no início do Plano.

Mas o que valia para essa época de altas taxas não vale para uma economia saudável, com baixas taxas de juros. "Os remédios para quem está doente não valem para um indivíduo saudável", compara. "Daqui para frente, as pessoas vão ter de buscar novas oportunidades, vão ter de arriscar mais. Os investidores vão ter de começar a buscar investimentos ainda pouco procurados como fundos imobiliários ou desconhecidos como créditos de carbono.

Essa visão é compartilhada pelo economista da LLA Investimentos Sergio Manoel Correia, para quem não há perspectiva de que o cenário de altas taxas de juros se repita no futuro. "Os juros foram a variável de ajuste para o Plano Real, para manter o processo de estabilização. Mas pelos próprios avanços estruturais da economia a tendência é de queda da taxa."

Ou seja, o investidor brasileiro vai ter de começar a se sofisticar e conhecer outros investimentos além da poupança e do DI ou, se tiver aversão ao risco, terá de se contentar com um rendimento bem menos exuberante do que nestes primeiros 15 anos de Plano Real.


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