A tentação de comprar ações neste momento, quando a crise financeira mundial completa um ano, é grande. Afinal, em nove meses a BMF&Bovespa registra uma alta de 56% em reais ou 99% em dólar no Índice Bovespa (Ibovespa).
Muita calma nesta hora. Investidores que estão pensando no curto prazo, ou seja, que precisam do dinheiro para daqui a seis meses ou um ano, não devem comprar ações agora. "Quem não pode esperar pode perder dinheiro", diz o gestor de renda variável da Infinity Asset, George Sanders.
O problema é a oscilação. Papéis que hoje estão em alta podem cair. Isso acontece sempre, independente de haver crise mundial ou não. E é impossível prever quando a cotação de um papel vai subir ou descer.
Outro problema é que muitos analistas acreditam que depois desta alta há uma tendência de queda geral das ações. É um ajuste dos preços. "E tem muita gente torcendo para que isso aconteça para comprar ações", afirma Sanders.
Se o investidor tiver mais prazo e quer entrar na Bolsa, tanto melhor. O ideal é investir na Bolsa por pelo menos dois anos para só depois sacar o dinheiro. "Infelizmente hoje não tem mais barganha como havia no começo do ano", diz Christian Klemt, gerente de gestão de fundos da corretora Solidus.
O que não significa que não existam bons papéis. Klemt indica ações de empresas ligadas a construção civil, varejo e educação. Ou seja: papéis de empresas cujo foco é o mercado interno.
E quem já está na Bolsa, o que deve fazer? O melhor é continuar investindo em ações. "Principalmente se a pessoa não precisa fazer caixa. E, quando houver uma queda, sair comprando", diz George Sanders, da Infinity. Entrar agora não é uma boa ideia, porque as ações voltam a ficar caras.
O professor da Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA/USP) Luiz Jurandir Simões explica que quem tem receita garantida pode investir mais na Bolsa. Profissionais liberais, cuja renda varia todo mês, devem ter mais cautela.
A crise ensinou aos investidores que é preciso ter sangue frio. E, pelas regras do capitalismo, crises fazem parte do sistema. "A Bolsa é uma boa alternativa para o investidor que tem tolerância ao risco e queira ganhar mais do que a média dos investimentos", diz Simões.