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04/11/2009 - 17h40

Investidor pode aprender com grupos de discussão, mas deve ter cautela

Anne Dias

Muitos investidores recorrem aos fóruns de discussão e aos chats para tirar dúvidas, saber quais ações podem ser boas alternativas, quais ele deve evitar e o que está chamando a atenção do mercado financeiro.

Tudo ok, não fosse por um detalhe: é impossível saber a real intenção de quem está do outro lado, dando opinião direta ou indireta sobre um papel, uma empresa.

“Os fóruns e os chats são muito bons para quem quer trocar experiência. Mas é preciso ter cautela. Não dá para saber qual é a agenda da pessoa que está do outro lado do computador”, diz Luís Fernando Moran de Oliveira, diretor do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri).

Além de não saber exatamente o objetivo de quem comanda a conversa, nem sempre dá para saber quem é o organizador. "Ele nem sempre é uma pessoa credenciada, que pode orientar os investidores", afirma Walter Machado, presidente do conselho do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef).

A diferença básica entre chat e fóruns está na agilidade. Geralmente, chats são discussões que acontecem em tempo real. Os internautas são avisados de que a conversa com um analista ou economista vai acontecer em tal hora.

Nos fóruns, um especialista publica um artigo ou uma opinião e os internautas são convidados a mandar um comentário.

Existem dois tipos de fóruns e chats: os abertos e os fechados. Os abertos são organizados por sites ou blogs. Qualquer pessoa pode participar.

Os fechados são feitos por corretoras com seus clientes ou para quem já seja cadastrado.

“Os fóruns e chats abertos são mais especulativos e mais perigosos”, diz Ricardo Martins, vice-presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec/SP).

Fofoca

Outro problema dos fóruns de discussão e dos chats é o boato. Muitas informações não confirmadas pelas empresas são disparadas por meio deles.

E aí o investidor desatento pode achar que foi premiado com uma informação privilegiada quando, na verdade, está caindo em uma armadilha. “E basta a pessoa ligar para a empresa para checar a informação”, afirma Oliveira.

Então, qual é a saída? Não participar dos fóruns? Calma, não é preciso evitar os fóruns e chats. Basta usá-los com parcimônia. “Eles servem para o investidor ver como outros investidores tomaram decisões”, diz Luís Fernando Moran de Oliveira, do Ibri.

O analista programador Hernani Moretto investe em Bolsa de Valores há três anos e aprendeu a tirar o melhor dos chats dos quais participa. “Tenho minha estratégia e converso com analistas pelos chats. Mas nunca tomo uma decisão de comprar ou vender uma ação só porque li um comentário em um chat”, diz Moretto.

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