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10/11/2009 - 12h34

Use o 13º salário para pagar dívidas, consumir e investir

Anne Dias

A primeira parcela do 13º salário cai no dia 30 de novembro, para quem não o antecipou com as férias. A segunda parcela vem até o dia 20 de dezembro.

Portanto, o dinheiro extra está para fazer a alegria de muita gente.

Mas antes de pensar em tudo o que você pode comprar, os consultores financeiros dizem que é melhor traçar uma estratégia.

Primeiro, dê preferência ao pagamento das dívidas. E, neste grupo, pague aquelas que cobram os maiores juros, como as dívidas com cartão de crédito e no cheque especial, cujas taxas giram em torno de 10% ao mês.

Mas atenção: mesmo tendo dinheiro no bolso e uma dívida no banco, negocie. Não pague tudo de olhos fechados. “Fim de ano é o melhor momento para negociar o pagamento de parcelas atrasadas”, diz o consultor financeiro Eduardo Sanchez Palma.

Já que você está negociando para pagar a dívida à vista, peça um desconto de, no mínimo, no mínimo, 5%. Mas é importante fazer as contas, ver quanto estão cobrando de juros.

E aproveite. Os credores sabem que as pessoas estão com o 13º no bolso e que a tentação em consumir é grande. “Então, eles vão brigar pelo dinheiro do consumidor”, afirma Palma.

 

Consumo com moderação

 

E quem não tem dívidas? Faz o quê? Ao contrário do que muita gente possa supor, os consultores financeiro não são taxativos. Afinal, diz Palma, educação financeira existe para o bem estar das pessoas.

Vá com calma. “Fim de ano é hora de relaxar. É bom comprar presentes, pensar na ceia de Natal. Mas convém não esquecer que em janeiro tem impostos para pagar, como IPTU, IPVA”, diz José Raymundo de Faria Junior, diretor da Wagner Invest.

Há também a possibilidade de investir, é claro. Mas só em produtos financeiros? “Não necessariamente. Bancar uma pós-graduação ou um MBA também é uma maneira de multiplicar o dinheiro”, diz Eduardo Calhelha, executivo que cuida da gestão de patrimônio do Banco Votorantim.

Só para se ter uma ideia, um MBA de um ano e meio a dois anos em uma escola de ponta custa por volta de R$ 20.000. É possível deixar parte do 13º salário rendendo num fundo de renda fixa para ajudar a pagar as mensalidades do curso.

Entre os investimentos tradicionais no mercado, analise tudo de acordo com seu perfil e seu objetivo. Quer comprar uma casa daqui a seis meses? Melhor evitar aplicações arriscadas. Está com pressa para dobrar o patrimônio? Escolha o risco, desde que você tenha sangue frio.

Dependendo do caso, até a caderneta de poupança é uma boa alternativa. “Principalmente para quem tem pouco dinheiro e não tem como barganhar as taxas dos bancos”, afirma José Raymundo de Faria Junior, da Wagner. Isso porque alguns bancos chegam a cobrar taxas de administração de 3% ou 4% ao ano, o que deixa a rentabilidade bem próxima da caderneta, com a vantagem de que esta não paga Imposto de Renda.

Para quem tem o perfil conservador para moderado, duas opções são os CDB e o Tesouro Direto. No caso dos CDBs, o ideal é escolher aqueles que pagam taxas próximas a 100% do CDI. É provável que, para isso, o banco estipule dois anos de investimento.

Com dívidas pagas, compras feitas e algum dinheiro no bolso, você pode começar a pensar na aposentadoria – ou até engordar o plano que já tem.

Nas seguradoras e nos bancos há duas opções: o PGBL e o VGBL. O primeiro é indicado para quem declara Imposto de Renda pelo formulário completo e vai investir até 12% da renda bruta anual na previdência privada. O IR cobrado incide sobre todo o patrimônio.

O VGBL é melhor para quem vai investir mais do que 12% da renda bruta anual. Neste caso, o IR incide apenas sobre a rentabilidade. “De qualquer forma, tanto o PGBL quanto o VGBL não tem o come cotas, que é a cobrança do IR sobre o rendimento a cada seis meses”, diz Junior.

Os agressivos podem aproveitar o salário extra e engordar as aplicações na Bolsa de Valores ou até mesmo investir em um fundo multimercado. Em Bolsa de Valores, fique de olho nas ações de empresas voltadas para o mercado interno, como bancos, redes de supermercado ou lojas de departamento. “Mas o ideal é pensar na Bolsa como um investimento de longo prazo, não ter pressa”, diz Eduardo Palma.

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