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27/11/2009 - 16h05

Investidores novatos buscam a sorte e engordam números da Bovespa

Anne Dias

O analista de negócios Leonardo Rodrigues Silva tem 22 anos, trabalha em um grande banco e tem muito medo de perder dinheiro. Sempre deixou suas economias na caderneta de poupança.

No começo deste ano, a crise financeira mundial derrubou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Silva, então, ficou todo animado. “Os preços estavam muito baixos. Meus amigos me empolgaram ainda mais”, diz.

NOVATOS NA BOVESPA

  • Thiago Bernardes/UOL

    Leonardo Silva acompanha pregão na Bovespa

Acabou arriscando e passou a  fazer parte do grupo de pessoas que engordaram os números da Bolsa neste ano. A Bovespa bateu recorde de pessoas físicas investidoras. São 555.768, o que representa 30,53% dos investidores em ações. Os investidores pessoa física perdem apenas para os estrangeiros, que são donos de 33,67% dos investimentos em ações no Brasil.

E quanto investir em ações? Para quem tem o perfil de conservador para moderado esse é um dilema.

Silva fez uma conta simples, muito usada pelos investidores americanos. Ele pegou a expectativa de vida do brasileiro (80 anos) e subtraiu sua idade. Chegou a 60. Então pegou 60% da reserva e colocou na Bolsa.

“Na época, isso dava R$ 15 mil”, afirma. Os outros R$ 10 mil deixou na poupança. Silva trabalha desde os 16 anos e, como mora com os pais, consegue guardar boa parte do que ganha.

Em nove meses de Bolsa, Silva é só alegria. Entrou na baixa e está surfando nas altas ondas do mercado de ações. Seu investimento pulou de R$ 15 mil para R$ 40.000. Já o dinheiro que está na poupança rendeu muito pouco. “Estou tão animado que quero um dia viver só de Bolsa”, afirma.

Pudera. Só neste ano, o primeiro depois da crise, o índice que mede a cotação das ações mais negociadas, o Ibovespa, registrou um crescimento de 77% (até 26/11).

A estratégia de Silva foi certeira. Ele começou a operar num momento delicado, quando muitos investidores estavam vendendo seus papéis. Ou seja: ele comprou na baixa.

Hoje, tudo o que ele ganhar reaplica na Bolsa. E não tem medo, considerando que esse é um investimento de alto risco? “Até tenho, mas sigo uma estratégia. Coloquei um limite para ganhos e perdas. Quando uma ação bate no que eu estipulei, vendo ou compro mais”, afirma.

Seu limite varia de acordo com cada empresa, mas em geral é 10% para cima ou para baixo. Ele consegue manter uma média de ganho de 8% ao mês, com pico de 27% de lucro e 10% de perda.

No fim da crise, boatos rondaram os papéis da Positivo. Pelo sim, pelo não Silva vendeu. E se deu bem, porque as ações despencaram. Com o Banco Panamericano foi algo mais estruturado. Ele comprou as ações por um preço que na época considerou baixo e vendeu quando atingiu um bom patamar. Ganhou dinheiro.

No caso dos papéis do Itaú, ele vendeu as ações antes da fusão com o Unibanco. Deixou de ganhar com a valorização do gigante que se formou. Com a BR Malls, administradora de shopping centers, vendeu apressadamente e perdeu 10%.

Já com a Usiminas, não ganhou nem perdeu quando decidiu vender suas ações. “Sempre tenho metas de ganho que monto baseado em tudo o que eu leio sobre a empresa. Na maioria das vezes dá certo”, afirma. 

Milionário antes do previsto

Por mês, Leonardo consegue uma média de ganho de R$ 2.000. Em maio, seu melhor mês, chegou a angariar R$ 5.000. “Tinha feito um plano de chegar ao meu primeiro milhão aos 42 anos. Se o ritmo continuar bom, chego lá aos 35, sete anos antes do previsto.” Reforçando: se a Bolsa continuar como está e o plano de investimento dele ainda der certo.

Leonardo não opera o dia todo, todo dia, que é o que os “day traders” fazem. Mas uma vez por semana ele compra ou vende ações via home broker. Começou operando uma carteira com seis papéis e hoje trabalha com 13 ações. Neste ano, pegou R$ 7.000 que conseguiu com a Bolsa e deu entrada num apartamento com a namorada.

O rapaz ainda tem sorte: o imóvel de 65 metros quadrados valia R$ 160 mil, mas com a chegada de uma estação de metrô, passou a R$ 190 mil.

Leonardo é um investidor consciente. Ele sabe que no mercado financeiro sorte não basta. Há o risco do mercado do qual ninguém está livre.

“Minha inspiração é meu pai, que também investe na Bolsa, mas com cautela, prestando atenção em todas as notícias do mercado”, diz.

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