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09/02/2010 - 16h35

Investidor estrangeiro derruba a Bolsa; entenda o motivo

Anne Dias

O sobe-e-desce da Bolsa de Valores faz parte deste tipo de investimento. Neste ano, porém, o “desce” vem surpreendendo os investidores além da conta. E o motivo da queda vem, basicamente, da saída dos investidores estrangeiros da Bovespa. Só para se ter uma ideia, desde o começo do ano até a semana passada, eles tiraram do Brasil R$ 2,549 bilhões.


Segundo dados da BM&FBovespa, a participação dos estrangeiros na Bolsa já foi maior. Em junho de 2008, período pré-crise financeira mundial, eles representavam 37,2% dos investidores em ações. No dia 4 de fevereiro de 2009, eles respondiam por 26,4%. No mesmo período, as pessoas físicas pularam de 24,4% para 33,9% e assumiram a liderança como principais investidores (veja quadro abaixo).

“Eles ainda são um peso-pesado na Bolsa”, diz o diretor geral da Enfoque Informações Financeiras, Fausto de Arruda Botelho. Ele explica que o perfil dos investidores de fora é mesclado. “São árabes, franceses, americanos. Eles estão em grandes fundos de investimentos que buscam as melhores rentabilidades”, afirma.

E, como esses fundos estão nas mãos de gestores profissionais, eles tendem a ser mais racionais. Vendem seus papéis quando precisam tapar um buraco em outro mercado ou quando acreditam que aquela economia dá sinais de alerta.

Aí mora o problema. Como os estrangeiros seguem as estratégias de olho no mercado mundial, e, normalmente, os minoritários brasileiros pensam mais localmente, eles podem derrubar a Bolsa, como vem acontecendo. Os investidores minoritários brasileiros, então, percebem uma fuga de capital da Bolsa e decidem vender suas ações também, mesmo sem entender claramente o que está provocando a saída. “O estrangeiro é um grande influenciador de opiniões”, diz Botelho.

Grau de investimento

A chegada de estrangeiros na Bovespa se intensificou em 2008, quando o Brasil atingiu três graus de investimento, status concedido por agências internacionais de análise de risco (Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch). A nota indica para o investidor o risco de tomar o calote de uma empresa ou um país (quanto melhor a nota, menor o risco). “A qualquer sinal de estresse, o investidor vai embora”, diz Manuel Lois, diretor da corretora Spinelli.

E há alguns estresses no momento: o alto índice de pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos, a restrição ao crédito na China e o nível de endividamento de alguns países europeus, como Grécia, Espanha e Portugal, são alguns exemplos.

“Assim como os estrangeiros vão embora, eles voltam”, afirma Lois. Quais papéis eles buscam? “Sempre as blue chips, as ações mais negociadas da Bolsa, que fazem parte do Ibovespa.”

E o que o minoritário deve fazer quando os estrangeiros deixam o Brasil e puxam a Bolsa para baixo? “Comprar. As ações ficam mais baratas, e é hora de abrir a carteira”, diz Lois. 

Participação de investidores na Bovespa

Data Estrangeiros Pessoa física Institucionais Empresas Instituições financeiras Outros
junho/08 37,2% 24,4% 26,3% 3,2% 8,8% 0,1%
junho/09 36,5% 28,7% 25,7% 3,1% 6,1% 0,1%
janeiro/10 28% 31,4% 29,4% 2,3% 8,8% 0,1%
fevereiro/10 (até dia 4) 26,4% 33,9% 29,1% 1,8% 8,9% 0
  • fonte: BMF&Bovespa

 

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