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19/03/2010 - 20h05

Títulos públicos: saiba em qual investir conforme seu perfil

Anne Dias

Há um tipo de investimento de baixo risco e, geralmente, com rentabilidade maior do que a poupança. São os títulos públicos, comprados via Tesouro Direto.

Eles são ativos de renda fixa, e o investidor pode escolher o tipo de rendimento que quer ter (atrelado à inflação, por exemplo), desde que espere até o vencimento do contrato.

Pareceu apetitoso para você? Muita calma. Os títulos não servem para qualquer tipo de investidor. “Eles atraem principalmente quem gosta de investir em poupança e imóvel”, diz o economista Cláudio Gonçalves, sócio da consultoria Planning.

Os títulos do governo são mais indicados para quem não tem pressa e busca alguma segurança. “E muitos fundos institucionais estrangeiros também gostam de comprar esses papéis”, afirma Gonçalves.

A explicação, neste caso, está nos números: com um dos juros mais altos do mundo (descontada a inflação, eles geram 4,5% a 5% de rentabilidade), o Brasil acaba atraindo investidores mundiais.

O risco desses papéis está em o governo brasileiro dar o calote e não pagar o que deve aos investidores. “Mas, com o grau de investimento dado por três agências internacionais, este risco é bem baixo”, diz Gonçalves.

Já o professor de finanças da Fiap Marcos Crivelaro aponta um problema nos títulos. Segundo ele, como o investidor tem de comprar os papéis via internet (caso queira fazer a aplicação diretamente com o Tesouro Direto), ele pode achar o sistema complicado.

Riscos e vantagens

E qual perfil de investidor se adapta melhor a cada um dos cinco tipos de título público?

Bem, antes de mais nada, você deve conhecer o seu perfil de investidor. Saber se você tem mais apetite ao risco ou se você não suporta investimentos com pouco risco faz toda diferença.

O UOL Economia pediu para o responsável pela área de Renda Fixa na XP Investimentos, Manuel Lamas, fazer algumas ponderações sobre cada um dos títulos públicos -e para qual perfil cada um deles se encaixa melhor. Veja a opinião dele:

LTN (Letras do Tesouro Nacional, um título prefixado): um ponto muito importante é saber o horizonte temporal da aplicação. Caso o investidor tenha necessidade de sair da aplicação antes do vencimento, ele pode ter perdas. Mas, caso o investidor permaneça até o resgate, ele garante a rentabilidade. Ou seja, o grau de risco depende do horizonte da aplicação. Perfil: moderado para agressivo.

NTN-F (Notas do Tesouro Nacional – Série F): ae precisar sacar o dinheiro antes do contratado, o investidor pode perder rentabilidade. Além disso, se a inflação ou os juros dispararem, ele pode perder poder aquisitivo. Perfil: moderado para agressivo.

NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – Série B): também depende do tempo em que o investidor permanece com o investimento. No curto prazo, esse ativo sofre com as oscilações do mercado. Por outro lado, o aplicador tem rentabilidade em termos reais e pode se proteger da inflação. O valor desse título muda conforme a expectativa de inflação dos agentes financeiros, como bancos e indústrias. Perfil: conservador.

NTN-B Principal: No curto prazo, esse ativo sofre com as oscilações do mercado e até mesmo com a expectativa de inflação. Perfil: conservador.

LFT (Letras Financeiras do Tesouro): esse é o título com menor exposição ao risco, mas deve ser recomendado para investidores de curto prazo. O preço varia em função da expectativa sobre a taxa de juros. Perfil: conservador.

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