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25/03/2010 - 07h00

Novas regras podem ajudar CDB a render mais, dizem analistas

Anne Dias

O Banco Central (BC) anunciou que a partir de 9 de abril vai aumentar o compulsório de depósitos a prazo de 13,5% para 15%. O que isso quer dizer? Vamos por partes.

Compulsório é uma parte dos depósitos dos clientes que os bancos mandam para o BC. Aumentar o compulsório é uma forma de tirar dinheiro de circulação. “Essa é uma medida para controlar a inflação”, diz Jorge Simão, superintendente de tesouraria e distribuição do Banco Espírito Santo Investimentos.

O BC também pode diminuir o compulsório e, assim, injetar mais dinheiro na economia, liberando os bancos para emprestarem mais.

E o que isso significa para você, investidor? Pode ser uma notícia boa. Com menos dinheiro em caixa, os bancos tendem a pagar mais para que você deixe seus investimentos com eles.

“Houve um aumento médio no mercado de dois pontos percentuais nas taxas pagas pelo CDB”, diz Marcos Villanova, diretor da área de investimentos do Bradesco.

Villanova cita o CDB (Certificado de Depósito Bancário) porque esse é o produto financeiro que mais se beneficia desta situação. O CDB é a maneira mais rápida –e uma das mais baratas– de os bancos conseguirem dinheiro.

Quando você investe em um CDB, está emprestando dinheiro ao banco, que paga com uma taxa atrelada ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário). O CDI é um indicador negociado entre os bancos.

No CDB, não há cobrança de taxas, mas sim de Imposto de Renda, que vai de 15% a 22,5%, de acordo com o tempo que você deixa seu dinheiro lá.

Aumentar a remuneração do CDB é o jeito que os bancos encontram para manter o caixa cheio de dinheiro.

“Num primeiro momento, essa mudança afeta os grandes poupadores, como as fundações”, afirma Eduardo Jurcevic, superintendente de investimentos do Santander Brasil.

Mas ele lembra que quem tem, por exemplo, R$ 30 mil com vencimento em dois anos pode conseguir até 101% do CDI. A taxa média para um poupador que tenha R$ 10 mil, por exemplo, varia de 90% a 95%.

Cliente fiel

As taxas pagas pelo CDB são, teoricamente, fixas. “Mas isso varia muito de acordo com a fidelidade do cliente”, afirma Villanova, do Bradesco. Lá, um investimento de R$ 1.000 recebe 75% do CDI. Esse é o básico. Esse valor pode ser negociável.

Há bancos em que, quanto mais tempo o cliente deixa o dinheiro investido, maior é o retorno. “Nós sempre analisamos o relacionamento que nosso cliente tem conosco”, diz Jurcevic, do Santander.

O educador financeiro Mauro Calil afirma ainda que algumas corretoras de valores vendem CDB com taxas melhores que bancos. “Seja no banco seja em corretora é sempre importante ficar atento ao vencimento do CDB. Quem saca antes vai perder rentabilidade”, diz Calil.

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