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12/05/2010 - 07h00

Analistas dizem se vale a pena comprar euro ou dólar quando a cotação cai

Anne Dias

Um advogado de São Paulo, que prefere não se identificar, recebeu uma ligação de uma gestora de investimentos.

Ela representava um fundo off shore, sediado no Chipre, uma ilha no Mediterrâneo.

Durante 40 minutos a moça tentou convencê-lo a investir em títulos internacionais. Duas vantagens fizeram os olhos do advogado brilhar: a cotação do dólar está caindo e não é preciso ter muito dinheiro. “Com US$ 1.000 já poderia fazer o investimento.”

Por outro lado, o tal fundo era alavancado em 200%. Ou seja: ele poderia ganhar muito dinheiro, mas também poderia sair devendo uma verba e tanto para o fundo.

Desconfiado, o advogado desistiu do negócio.

E toda vez que o dólar ou o euro cai, muitos investidores pensam em investir em moeda estrangeira – lá fora ou aqui no Brasil, via fundos cambiais.

Mas será que esse é um bom investimento para o pequeno investidor, gente com menos de R$ 50 mil?

Olhando para a cotação das moedas você pode achar que sim. Veja o que aconteceu com a cotação do euro e do dólar nos últimos três meses.

Porém, os consultores financeiros acham que não.

“Só deve comprar euro ou dólar quem for para fora do Brasil, onde as despesas são em euro ou dólar”, diz a consultora financeira Márcia Dessen, sócia da BMI.

Comprar moeda estrangeira para investir e deixar em casa (sem perspectiva de viagem) é uma péssima ideia para a consultora. “”Não há remuneração, e o investidor corre o perigo de ser assaltado e perder tudo”, afirma Dessen.

A alternativa para quem vai para a Europa ou os Estados Unidos daqui a seis meses ou mais é fazer um fundo cambial.

“É como um fundo de investimento qualquer, só que o gestor compra ativos que corrijam a variação da moeda”, afirma Dessen.

Ela explica que podem ser títulos públicos, como as LFTs, corrigidas pela Selic com uma opção de troca (swap).

O problema para quem vai investir nesses fundos por pouco tempo é que há incidência de Imposto de Renda. O IR dos fundos cambiais segue a tabela para fundos tradicionais. As taxas vão de 15% a 22,5%, variando conforme o tempo investido (até seis meses, 22,5%, de seis meses a um ano, 20%; de um a dois anos, 17,5%; e acima disso, 15%). Não há taxa de performance, mas as taxas de administração variam de 1% a 3% ao ano.

Dessen faz um alerta. “Alguns fundos têm caráter especulativo. É preciso ficar atento”, diz. Mas ela mesma diz que não é tão é fácil saber isso, pois nem sempre os gerentes de banco confirmam essa característica. "Nesse caso, a saída é ver o quão alavancado é o fundo. Quanto mais alavancado ele for, mais especulativo será." Essa informação normalmente está no prospecto do fundo.

O educador financeiro Mauro Calil explica ainda que o caso do advogado que quase comprou um título de um fundo estrangeiro 200% alavancado é relativamente comum. “Ele pode dar patrimônio líquido negativo e o investidor terá de colocar mais dinheiro lá para cobrir o buraco”, afirma.

Viagens

Quem vai viajar para fora do Brasil deve comprar moeda estrangeira.

“Nestes casos, vale a pena comprar moeda local, mas não muito”, diz Dessen. “Além dos cartões de crédito internacionais, existem também alguns cartões de débito que são aceitos nos caixas eletrônicos no exterior." Para ela, não se deve ter mais do que US$ 100 ou € 100 em dinheiro no bolso por dia.

O problema de deixar para pagar tudo no cartão de crédito é que você não saberá a cotação do dólar ou euro de quando a fatura será fechada.

E, diferentemente do que muitos consultores financeiros indicam, Calil acha melhor comprar dólar ou euro de uma só vez.

“Também não é bom comprar moeda de maneira picada. O melhor é comprar tudo de uma vez, ainda que se perca uma boa cotação na semana seguinte. Nunca dá para saber o que vai acontecer com a cotação de uma moeda”, afirma Calil.

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