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27/05/2010 - 07h00

Especulação proibida na Alemanha é para poucos e não afeta investidor comum

Anne Dias

Uma decisão do governo alemão deixou o mercado financeiro mundial de cabelo em pé. A BaFin (espécie de CVM dos alemães) proibiu as operações de venda a descoberto com títulos de governos da zona do euro.

Venda a descoberto ocorre quando um investidor vende a prazo um título ou ação sem ter o ativo de fato. São contratos de derivativos para liquidação futura, explica o consultor Silvio Paixão. O investidor promete hoje vender um título no futuro por um determinado valor (R$ 10 no dia 1º de dezembro de 2010, por exemplo), mas ele ainda não comprou esse título.

Como ele acredita que o preço daquele determinado título vai cair, espera para comprar o papel antes do vencimento (até 30 de novembro nesse caso hipotético). A aposta desse investidor é que o título terá um preço mais baixo do que o que ele combinou para a venda. Por exemplo, se ele comprar o papel por R$ 5 no dia 30 de novembro, vai lucrar 100% ao vender pelos R$ 10 combinados.

De fato, o que ocorre é uma liquidação da operação por diferença, ou seja, nesse caso hipotético, o comprador dá os R$ 5 da diferença entre o valor praticado pelo mercado (R$ 5) e o valor combinado (R$ 10).

“O objetivo é esperar o preço cair e depois comprar o título com lucro”, afirma Luiz Jurandir, consultor financeiro e professor de finanças da Fipecafi.

Ao fazer essa proibição, explica Jurandir, a Alemanha espera evitar uma maior especulação no mercado.

A proibição alemã afeta principalmente papéis pouco conhecidos no Brasil, os Credit Default Swaps (CDS), que podem ser de uma empresa ou de um país. No caso da Alemanha, são de países europeus.

Investidores

O investidor que compra esse título acredita que uma empresa ou um país não vá pagar suas dívidas.

O risco é de que o vendedor não pague suas obrigações, porque foi à falência. O risco é alto e, portanto, quanto maiores são as chances de quebra da empresa ou do país, mais alta será a cotação dos CDS.

Este não é um papel para investidores pequenos tampouco é oferecido pelos departamentos voltados para investidores com muito dinheiro, como os "privaties".

"Eles nem têm acesso a esses títulos. São investimentos para grandes fundos, que ficam de olho na inadimplência de um país", diz o professor de finanças Ricardo José Almeida. Tem CDS, explica Almeida, cujo investimento é de US$ 10 milhões.

“O problema é que foi uma decisão arbitrária contra a liberdade do mercado”, diz o educador financeiro André Massaro. “Muita gente ficou desconfiada com a medida.”

No Brasil

Normalmente, quem mais compra este tipo de título são fundos. “Elas compram para fazer “hedge” (proteção de um ativo contra uma possível redução do valor no futuro)”, afirma Massaro.

Aqui no Brasil é raro haver negociação, mesmo entre os grandes fundos de investimento. “Esses papéis são pouco negociados por aqui. Quem faz a intermediação são os grandes bancos”, diz Jurandir.

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