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16/06/2010 - 14h38

Capitalização da Petrobras: vale a pena comprar ações da empresa?

Anne Dias

O mercado financeiro está em polvorosa com a capitalização da Petrobras, aprovada na semana passada pelo Senado. A história é a seguinte: com o pré-sal, a empresa vai precisar de mais dinheiro para explorar petróleo em águas profundas.

ANALISTA EXPLICA A CAPITALIZAÇÃO

De onde virá este investimento? Da ofertas de ações que a empresa vai fazer. O número total de ações que serão colocadas no mercado será definido no dia 22 de junho. Mas esta deve ser a maior capitalização de uma empresa do mundo, que está sendo estimada em R$ 100 bilhões.

Pelo projeto que o Senado aprovou, o governo vai emitir títulos da dívida pública no valor de mercado, equivalente a 5 bilhões de barris de petróleo, em favor da empresa. Em troca, a petrolífera pagaria por esses direitos, em um modelo batizado de "cessão onerosa".

Mas será que é uma boa alternativa comprar agora os papéis da Petrobras? Os consultores financeiros, em geral, dizem que sim, desde que o investidor tenha cautela e que acredite no futuro da empresa. Isso vale tanto para quem já tenha ações da Petrobras, quanto para quem está pensando em se tornar acionista da companhia.

“A subscrição nada mais é do que a emissão de novas ações. Ou seja: a Petrobras vai aumentar o capital. O bom é que haverá mais ações negociadas no mercado. Mas este também é o lado ruim”, afirma o especialista em finanças pessoais André Massaro.

Isso porque com mais ações no mercado, a empresa terá de aumentar sua margem de lucro para poder dividir o bolo com mais investidores. Pode ser que esse processo aconteça naturalmente, uma vez que a demanda por petróleo no mundo ainda é alta.

Mas pode ser também que o mundo encontre alternativas ao petróleo e que a commodity não seja tão relevante no futuro.

“O lucro da empresa terá de subir na mesma proporção que o número de investidores. Não dá para prever se isso irá de fato acontecer ou não”, diz Massaro. “É praticamente um ato de fé.”

Cotação

Por outro lado, há consultores que afirmem que, apesar disso, a hora de investir na Petrobras é agora.

“Depois de toda a crise financeira, o preço da ação está de 10% a 15% abaixo do que deveria estar”, diz Ricardo Rochman, professor de finanças da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FVG-SP).

Rochman diz que, no futuro, haverá problema de escassez do petróleo e que a saída deverá ser a camada de pré-sal. “Mas é importante pensar nisso sempre como algo de longo prazo, como 10 ou 15 anos”, afirma. “O petróleo de fácil extração está acabando. As empresas que vão dominar o mercado serão as que tiverem mais tecnologia.”

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