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05/08/2010 - 07h00

Após boa fase, ouro vira pior investimento; analistas dão dicas

Anne Dias

Investidores do mundo todo estão cada vez mais de olho nas commodities, principalmente no minério de ferro.

Tanto que o desempenho das ações da Vale (VALE3 e VALE5), uma das maiores mineradoras do mundo, acabou impulsionando o bom resultado da Bolsa de Valores brasileira em julho.

A Bolsa foi a melhor aplicação de julho, com uma alta de quase 11%. Em contrapartida, o ouro, que liderava o ranking desde o começo deste ano, foi para o pior lugar entre os investimentos, recuando mais de 3%.

Ambos são commodities. Mas, para os consultores financeiros, é melhor investir no minério do que no ouro.

“A procura por commodities como as do setor de mineração vem crescendo no mundo todo”, diz Marcelo D’Agosto, consultor de valores mobiliários.

“Já o ouro é considerado uma reserva de valor. Também tem valor industrial, mas é em menor escala”, afirma D’Agosto.

Isso significa que o ouro é visto como um aspecto financeiro, sem muita aplicação operacional para as empresas. E isso é encarado com preocupação pelos analistas, porque o metal tem mais caráter especulativo e de proteção do que o de um bem ligado à geração de valor.

Em relação ao minério de ferro, o Brasil tem uma vantagem. A Vale consegue ter um custo de extração mais baixo em relação às suas concorrentes.

Impostos internacionais

Alguns países, porém, falam em taxar o minério para fazer caixa. É o caso de Rússia, China, Austrália e Índia. “Se esse projeto vingar, vai acabar impactando no resultado dos investidores. Mas isso deve demorar para acontecer”, afirma Fernando Ferreira, gestor responsável pela Lerosa Investimentos.

MUDANÇA NO MINÉRIO AFETA AÇÕES

  • O estrategista-chefe da corretora SLW, Pedro Galdi, fala sobre empresas de mineração

Os reajustes do minério passaram a ser trimestrais, o que acabou afetando positivamente o balanço da Vale. Veja no UOL Economia entrevista com o estrategista-chefe da corretora SLW, Pedro Galdi, sobre esta mudança.

Nas últimas semanas, a Vale fez uma oferta de R$ 2 bilhões para comprar as ações ordinárias da Paranapanema (que já foi uma “blue chip”, ou seja, uma das ações mais negociadas da Bolsa de Valores).

Em um ano, as ações ordinárias (com direito a voto) da Vale passaram de R$ 37,55 (6 de agosto de 2009) para R$ 50,47 (3 de agosto agora).

É bem verdade que, nos últimos meses, as ações da empresa oscilaram muito. “Mas o minério de ferro é essencial para a economia mundial”, afirma Fernando Ferreira, da Lerosa.

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