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08/10/2010 - 07h00

Petrobras em queda: especialistas dizem o que o investidor deve fazer

Anne Dias

A capitalização da Petrobras mal terminou e as ações da empresa já estão caindo. Na quarta-feira (6), a desvalorização das ações do tipo PN (PETR4), as mais negociadas, foi de 4%. Na quinta, os mesmo títulos caíram mais de 2%.

Segundo profissionais do mercado, muitos investidores estão vendendo os papéis porque já entraram no processo de capitalização com objetivos de curto prazo. Outros, porém, estão se livrando das ações da Petrobras por receio de uma produtividade menor do que a esperada, já que quarta-feira a companhia divulgou que não atingirá sua meta de produção prevista para este ano.

"Alguns também estão com medo do segundo turno das eleições presidenciais. Eles não sabem como serão os debates e como isso pode atingir a Petrobras", diz Osmar Camilo, analista da corretora Socopa.

O receio de alguns investidores encontra respaldo na avaliação de alguns bancos como o brasileiro Itaú, o inglês Barclays e o americano Morgan Stanley, que nesta semana rebaixaram suas avaliações dos papéis da empresa.

"Mas isso é comum. Os bancos sempre reveem suas estratégias e podem diminuir o preço que consideram o ideal das ações", afirma Reginaldo Alexandre, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais em São Paulo (Apimec/SP).

Na avaliação dos analistas, quem já é acionista da Petrobras e acredita no potencial da empresa, não deve fazer nada. Tem de esperar. Ou pode até aproveitar a queda nos preços dos papéis para comprar mais. "O momento é bom para comprar", afirma Camilo, que considera a dica válida também para quem ainda não possui Petrobras na sua carteira de investimentos.

Alexandre, da Apimec, aconselha, porém, que o investidor não tome nenhuma atitude precipitada. "Cada um tem de avaliar as perspectivas da empresa e analisar, em função disso, qual deve ser o desempenho das ações no prazo que está disposto a esperar pelo investimento."

O que os bancos disseram

Com a conclusão do processo de capitalização da Petrobras, o período de silêncio no qual os analistas de mercado permaneceram calados chegou ao fim, permitindo a divulgação de relatórios de análise sobre a empresa.

O banco inglês Barclays, por exemplo, reduziu a recomendação para os papéis da petroleira. Eles estavam antes na categoria overweight (peso acima da média do mercado) e agora passaram para equalweight (na média do mercado).

Já o Itaú, através de relatório da analista Paula Kovarsky, reduziu a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) para market perform (desempenho em linha com a média do mercado), citando que os ativos da Petrobras são negociados com múltiplos acima das principais petrolíferas do mundo.

Outra insituição que rebaixou os papéis da Petrobras foi o Morgan Stanley. O preço-alvo dos papéis que no exterior representam as ações ON da estatal passou de US$ 61 para US$ 45, mas o banco reiterou sua recomendação de overweight.

A estimativa de lucro também foi reduzida pelo Morgan Stanley. Agora a previsão de lucro é de US$ 2,92 por papel em 2010 e de US$ 3,05 para 2011. A previsão anterior era de lucros de US$ 3,74 e US$ 3,77, respectivamente.

Entre os motivos das revisões estão a capitalização da empresa, que permitiu ao governo aumentar sua parcela na Petrobras, a redução dos preços do petróleo no mercado internacional, a queda na expectativa de produção no curto prazo e a perspectiva de margens pressionadas.

 

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