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24/11/2010 - 07h00

Saiba como ganhar dinheiro com os juros altos do país

Anne Dias

O Brasil tem a segunda maior taxa de juros do mundo: 10,75% ao ano. Perde somente para a da Venezuela (18,38%), segundo o ranking mundial de juros reais, da Apregoa.

Ok. E como você, investidor, pode ganhar dinheiro com isso?

Primeiro você deve pensar sempre em juros descontando a inflação. Portanto, os juros reais brasileiros são de cerca de 5,6%, para até daqui a um ano.

Veja cinco dicas para ganhar dinheiro com os juros

1) Pense sempre em juros descontando a inflação
2) Títulos do Tesouro Nacional são uma boa alternativa. Alguns pagam cerca de 10% ao ano, descontando inflação e impostos
3) Outra opção é o Fundo DI, que é atrelado ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e segue os juros de mercado
4) Fique atento às taxas cobradas nos fundos DI. Taxa de administração de 4% por ano reduz o ganho
5) Outra vantagem dos títulos públicos é que o risco é baixo
  • fonte: Consultores financeiros

Para o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo (FGV/SP), Carlos Alberto Di Agustini, os títulos do Tesouro Nacional são uma boa alternativa.

“Eles pagam cerca de 10% ao ano, em taxa líquida, ou seja, já descontada inflação e Imposto de Renda”, afirma Agustini.

Rentabilidade deste porte acabou chamando a atenção de investidores do mundo todo. “Até porque lá fora os títulos de países de primeiro mundo pagam 1% ao ano”, diz o professor da FGV.

Agustini afirma ainda que os juros altos podem beneficiar também o mercado acionário. “Para atrair investidores, as empresas têm de focar em lucro para valorizar suas ações e, assim, dar retorno maior do que os títulos públicos para os acionistas.”

Como fazer?

Há algumas maneiras de ganhar dinheiro com os juros. 

Segundo Claudia Kodja, consultora financeira da Kodja Investimentos, o investidor pode escolher na renda fixa um fundo DI, CDB ou título público.

Fundo DI é atrelado ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e segue os juros de mercado. Tem risco pequeno, explica Claudia.

Esse tipo de aplicação investe no mínimo 95% em papéis pós-fixados de renda fixa, com rentabilidade próxima ao CDI. Desse total, pelo menos 80% são títulos públicos ou de empresas com baixo risco.

É preciso ficar atento às taxas cobradas nos fundos DI. Taxa de administração que custa 4% ao investidor por ano, por exemplo, reduz o ganho. Até porque, além dela, há ainda o Imposto de Renda, que vai de 15% a 22,5% sobre o rendimento (esse valor depende do tempo em que o dinheiro fica investido). Dessa forma, o fundo DI pode perder para a caderneta de poupança, que não cobra Imposto de Renda nem taxas.

CDB

Pelos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), os investidores emprestam dinheiro para os bancos. Mas isso tem um prazo. Quando ele vence, o capital volta para a conta do correntista, com juros. Os CDBs são vendidos pelos bancos.

Os CDBs podem ser prefixados ou pós-fixados (quando atrelados a algum índice).

Os riscos dos CDBs são pequenos. Mas, se o banco falir, você pode perder seu dinheiro. Nesse caso, o Fundo Garantidor de Crédito garante até R$ 60 mil por CPF, na soma de conta corrente, poupança e CDB.

Os pós-fixados podem se beneficiar durante uma alta de juros. Agora, se os juros caírem, você perde dinheiro.

Já, no caso dos pré-fixados, é o oposto: se os juros subirem, você pode ficar na desvantagem. E, se as taxas caem, o investidor pode ganhar.

Os bancos não cobram taxas de quem investem em CDB. Mas é preciso pagar Imposto de Renda.

Títulos públicos

Já nos títulos públicos o aplicador empresta dinheiro para o governo federal. Quem emite esses títulos é a Secretaria do Tesouro Nacional.

É possível comprar esses papéis por um fundo que invista neles ou pela própria Secretaria, via Tesouro Direto. Basta ter cadastro em um banco ou corretora. Mas atenção: cada instituição cobra uma taxa que, geralmente, vai de 0 a 4% ao ano.

O investidor pode escolher entre os títulos prefixados  ou pós-fixados (a rentabilidade é atrelada a algum índice). O investimento mínimo é de R$ 200.

O risco dos títulos é baixo. E isso acaba atraindo investidores estrangeiros. Toda quarta-feira o governo recompra os títulos, mas se a data não coincidir com o vencimento, o investidor pode perder rentabilidade.

Mais da metade dos investidores em Tesouro Direto (59,22%) aplicam até R$ 5.000. Os títulos públicos são vendidos desde 2002. Neste ano, até setembro – último levantamento da Secretaria –, 3.950 novos investidores passaram a aplicar nos títulos. No total, 204.598 pessoas aderiram ao investimento.

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