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Financiamentos: antecipar restituição exige cautela

Do InfoMoney

SÃO PAULO - Terminado o prazo de entrega das declarações de imposto de renda, a maioria dos contribuintes já aguarda com ansiedade o pagamento da restituição a que têm direito.Como o primeiro lote só deve ser pago em junho e o risco de acabar sendo pego na malha fina vem aumentando, muitos já estudam formas de antecipar o recebimento destes recursos através das linhas de financiamento oferecidas no mercado.

Cuidado com os atrasos nas restituições
Em geral, estas linhas apresentam custos mais baixos, pois como o consumidor deve receber a restituição do seu imposto, o risco de inadimplência é menor do que nas linhas tradicionais em que não existe nenhum tipo de garantia.

Contudo, é preciso cuidado na hora de levantar este tipo de financiamento, pois você corre o risco da sua restituição atrasar e ser forçado a quitar o saldo devedor com outros recursos, ou pior ainda, prorrogar o prazo de financiamento a custos mais altos.

Para evitar este tipo de situação, o melhor é se planejar durante o ano, para ter recursos suficientes para quitar seu saldo devedor mesmo sem ter recebido a restituição de IR.

Lembre-se que, muitas vezes, o atraso no recebimento da restituição não significa que você cometeu erros na sua declaração, mas que houve inconsistências com outras declarações. Pode ainda dever-se ao fato de que atualmente a Receita se encontra sobrecarregada para processar um número crescente de declarações.

Juros variam muito
Ainda que a maioria dos bancos ofereça este tipo de linha de financiamento, nem todos divulgam estas informações abertamente. Com a exceção do Banco do Brasil, ABN Amro e Bradesco, cujas condições de financiamento estão divulgadas no site das instituições, as demais não divulgam estas informações, sendo preciso efetuar visita às respectivas agências.

Para quem tem um bom relacionamento no Banco do Brasil, a instituição oferece juros mais baixos, de 2,30%, mas quem não se enquadra neste perfil pode acabar pagando ainda mais do que em um empréstimo pessoal.

O montante financiado também varia entre 65% e 100%, dependendo do banco. Mas, todas as instituições informam que o percentual efetivamente financiado pode acabar sendo mais baixo do que inicialmente previsto, com base na análise da situação de crédito da pessoa.

Quitação em geral deve ser feita em 2006
A maioria dos bancos oferece um prazo fixo para quitação do saldo devedor; a exceção é o Bradesco, que oferece prazos distintos de acordo com o percentual antecipado.

O prazo de quitação do financiamento pode chegar a 300 dias. Mas, neste caso, só é possível antecipar 65% do valor da restituição. Para quem quiser antecipar valores maiores, entre 70% e 80% da restituição, o prazo é menor, entre 240 e 120 dias, respectivamente.

Quase todas as instituições informam que, se a restituição não for paga nos lotes oficiais, o empréstimo deverá ser quitado em uma data máxima. Na maioria dos bancos, o prazo de quitação termina na data de recebimento da restituição ou no final de 2006. No Banespa, por exemplo, ele termina no dia 20 de dezembro, enquanto no BB ele é um pouco maior, e termina no dia 15 de janeiro de 2007.

A tabela abaixo compara os custos de financiamento e percentual de antecipação das linhas oferecidas pelos bancos:

Instituição Juros % Antecipação Limite de
financiamento
ABN Amro 3,30% 70% Até R$ 8mil
Banespa A partir de 2,90% Entre 70% e 100% Não informa
Banco do Brasil 2,30% a 7,90%, varia com perfil de relacionamento 70% Entre R$ 100 e R$ 10.000,00
Bradesco 3,3% Variável entre 65-80% Não divulgou
Caixa Econômica Não informa 75% Não informou
Nossa Caixa Não informa 100% Só mínimo de R$ 200
Por último, vale lembrar que algumas instituições só aceitam oferecer a linha de antecipação de restituição caso o contribuinte seja correntista, ou opte por receber sua restituição em uma das agências da instituição.

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