Milhares de pessoas protestam contra gás de xisto na Romênia

BARLAD, Romênia, 01 Set 2013 (AFP) - Mais de 3.500 pessoas protestaram este domingo em Barlad (nordeste da Romênia) contra projetos de exploração de gás de xisto, desenvolvidos pela companhia americana Chevron na região, constatou um correspondente da AFP no local.

"Gás de xisto = morte", dizia uma faixa colocada sobre um caixão carregado por manifestantes na cidade de Banca, periferia de Barlad.

Quinhentas pessoas se concentraram nesta cidade e mais de 3.000 na praça central de Barlad, com o reforço de muitos sacerdotes da Igreja Ortodoxa, religião majoritária na Romênia.

Em julho, a Chevron obteve permissão para explorar gás de xisto em três cidades da região de Barlad, com a ambição de desenvolvê-lo em seguida à extração por fratura hidráulica ou "fracking".

Este método, considerado perigoso pelos defensores do meio ambiente, consiste em injetar, com altíssima pressão, água misturada com areia e produtos químicos para liberar o gás da rocha.

Segundo estudo da universidade americana Duke, o método traz riscos de contaminação dos lençóis freáticos.

"Nós herdamos dos nossos ancestrais uma terra limpa e saudável e devemos mantê-la assim para nossos filhos e netos. Se nós os deixarmos explorar o gás de xisto, eles vão envenenar a nossa terra", declarou Mihai Berlea, um veterano de guerra de 86 anos.

"A terra e a água são as únicas riquezas que os camponeses romenos ainda têm", emendou Guzganeu Mavrodin, 76 anos.

Em Barlad, os manifestantes pediram a demissão do premier Victor Ponta e de seu adversário, o presidente de centro direita Traian Basescu.

Basescu é um fervoroso defensor do gás de xisto.

Ao contrário, a coalizão de centro esquerda de Ponta critica duramente o gás de xisto quando ele estava na oposição. Mas o primeiro-ministro agora defende esta fonte de energia e se declara favorável à sua exploração.

A Chevron, por sua vez, garante seguir "os padrões mais elevados em termos de segurança e ambientais" e promete gerar empregos em uma região empobrecida.

O grupo americano não respondeu às perguntas da AFP sobre os empregos já criados, nem sobre a data de início as perfurações de exploração.

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