Bancos devem ampliar prejuízos com crise das hipotecas, diz FMI

Da Redação
Em São Paulo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta terça-feira que a crise financeira poderia se intensificar, com novos prejuízos para os bancos que possuem valores dos Estados Unidos, onde as perdas potenciais são de cerca de US$ 1 trilhão, segundo cálculos da entidade.

A avaliação consta do relatório semestral do FMI, publicado nesta terça, sobre a estabilidade dos mercados financeiros, o "Assessing Risks to Global Financial Stability" (Avaliando os riscos à estabilidade financeira global), no qual mostra um panorama pouco promissor.

Em sua avaliação semestral dos mercados financeiros globais, o FMI disse que houve uma "falha conjunta" em conter uma maior alavancagem no sistema financeiro e os riscos de isso se desenrolar de forma desordenada.

As condições podem piorar à medida que a fraquejante economia norte-americana leve a mais perdas com crédito.

"A crise do crédito que provém da crise das hipotecas de alto risco estendeu-se em meio a uma significante desaceleração econômica", Jaime Caruana, diretor do departamento de mercados capitais e monetário do FMI, disse em coletiva.

"A deterioração do crédito aumentou e se espalhou para os mercados de hipotecas de residências e comércios de alto nível, e para mercados corporativos de crédito. À medida que ciclo de crédito gira, a taxa de inadimplência aumenta."

O fundo estimou que as baixas contábeis e perdas podem chegar a US$ 945 bilhões, mas ressaltou que seus cálculos refletem as condições do mercado em março, e a situação melhorou de alguma forma desde então.

Ainda assim, autoridades preferiram não comentar se o mercado está superestimando as perdas potenciais.

Caruana disse que uma questão-chave agora é como as condições de crédito irão enfrentar uma queda econômica dos Estados Unidos, que devem aumentar a inadimplência em uma variedade de empréstimos.

Ele disse que a atual crise, enraizada nas inadimplências do mercado de hipotecas de alto risco norte-americanas mas que se espalhou para outras formas de crédito com uma velocidade surpreendente, não é simplesmente uma questão de mercados exagerados que precisam de correções.

A turbulência expôs "falhas" entre os mercados que precisam de sérios reparos.

Isso requer a atenção do setor privado, bancos centrais e talvez o uso de fundos públicos, disse Caruana, acrescentando que os governos precisam estar "abertos" a todas as opções. "Fiquem prontos para intervenções e ações imediatas", disse ele.

O FMI disse que as ameaças para a estabilidade financeira global aumentaram, assim como o potencial de atingir os mercados emergentes.

"Os riscos macroeconômicos que estão concentrados na economia norte-americana têm um impacto significativo em importantes instituições financeiras, que podem acabar atingindo os mercados globais", afirmou o relatório.

(Com informações de EFE e Reuters)

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