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Contra inflação, Mantega diz que governo avalia reduzir tarifas de importação

Juliana Castro

No Rio de Janeiro

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira que pode reduzir tarifas de importação para combater a inflação. Ele reforçou que o aumento da taxa básica de juros é apenas uma das formas de controlar os preços.

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"A inflação se combate não só com um único, mas com vários instrumentos. Um deles, o mais conhecido, é o aumento dos juros. Agora, existem outras modalidades", afirmou o ministro em entrevista coletiva no Rio de Janeiro.

"Se o problema é oferta de produtos agrícolas, nós vamos aumentar a oferta. Nós, ao subirmos o preço mínimo do trigo, reduzimos as tarifas de importação e isso faz com que haja uma reação mais rápida do setor. Se houver outros produtos com preço subindo, poderemos reduzir as tarifas de importação", disse Mantega.

"Nós reduzimos a tarifa sobre a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), porque o combustível subiu. Fizemos no trigo, no diesel, na gasolina e poderemos fazer em outros setores."

Ele afirmou, ainda, que o próprio encarecimento da comida atenua a inflação em outros setores: "Na medida em que o cidadão gasta mais com alimento, tem menos recurso para consumir com outros gêneros".

Inflação de 3%
Em palestra durante o 20º Fórum Nacional, Mantega disse que a inflação no Brasil está "bastante comportada". "A inflação interna, estrutural, está em torno de 3%. O resto vem de fora. Acredito que o preço dos alimentos tem tendência a baixar."

"Não vejo a possibilidade de a inflação no Brasil fugir da margem que existe na meta da nossa inflação; em outros países, já fugiu", afirmou o ministro. O objetivo fixado pelo governo é de encerrar 2008 e 2009 com inflação de 4,5% ao ano, na medição do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Elogio ao BC
Mantega elogiou o Banco Central ao dizer que o fato de os preços estarem sob controle "mostra que o Brasil está fazendo uma política monetária mais consistente e conseguiu reagir melhor a uma crise inflacionária internacional".

"Nós temos dois tipos de crises internacionais: uma financeira, que está, no momento, um pouco mais tênue agora, mais calma, mas não passou ainda. E a crise no choque de commodities, que não são só alimentos, mas também ferro, alumínio etc, e o petróleo e derivados."

A alta do petróleo "causa também uma elevação em toda a cadeia petroquímica e acaba chegando aos manufaturados. Isso está presente também na economia brasileira e com menos intensidade que em outros países", disse Mantega.

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