BC não tomará decisões drásticas se inflação estourar meta, diz economista

Ana Carolina Lourençon
Em São Paulo

Mesmo que a inflação oficial do país medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) supere o limite da meta estipulada para este ano, de 6,5%, o Banco Central não deverá fazer mudanças extraordinárias nas reuniões do Copom do ano que vem, diz o economista e professor de finanças do Ibmec São Paulo Alexandre Jorge Chaia.

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira mostra que o mercado financeiro subiu a previsão de inflação de 5,8% para 6,08% neste ano, aproximando-se do limite da meta.

O governo prevê inflação de 4,5% para o ano, com uma margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo (a inflação, portanto, poderia ir de 2,5% a 6,5%).

"A pesquisa Focus do Banco Central tem mostrado que as expectativas para o índice de preços de 2009 estão dentro da meta e, portanto, isso ainda não é foco de preocupações para o Banco Central", diz.

Segundo o boletim Focus anunciado nesta segunda-feira pelo Banco Central, com as estimativas das cem principais instituições financeiras do país sobre indicadores econômicos, a previsão para o IPCA de 2009 está em 4,78%, sendo que o centro da meta para o período é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Opinião firme
Chaia afirma que o Copom tem, também, uma preocupação em não mostrar-se volátil ao mercado, com mudanças de opiniões e decisões repentinas toda vez que os fundamentos econômicos revelam alguma turbulência.

"Por enquanto, o que o Banco Central tem de evitar é que as pressões inflacionários do final do ano, por conta do aumento do consumo, possam poluir o ambiente de preços do ano que vem e fazer com que a inflação já comece 2009 maior do que o esperado", diz.

Para este ano, Chaia acredita que as chances de o IPCA estourar a meta são muito pequenas, cerca de 10%, apenas, pois muitos dos boletins Focus mais recentes têm refletido o ambiente econômico de curto prazo, com o preço do petróleo nas alturas e a escassez de alimentos no mundo, que têm encarecido os preços.

Já no caso dos alimentos, o grupo foi, junto com bebidas, o responsável por metade do avanço de 0,79% do IPCA de maio.

O tomate foi o vilão, já que seu preço acumulou alta de 109,36% nos cinco primeiros meses deste ano. O motivo para o avanço nos preços é a melhora do rendimento real dos trabalhadores, que passaram a incluir em sua dieta alimentar um maior número de itens e ajudaram a pressionar os preços.

"Para que a inflação estourasse a meta, seria necessário que o preço do barril de petróleo ultrapassasse os US$ 140 e houvesse expectativa de derrubada na colheita de grãos no cenário mundial", afirma Chaia.

Retroalimentação
O economista diz, também, que não é impossível ocorrer uma influência das expectativas do mercado sobre a inflação, num efeito de retroalimentação (os analistas prevêem a inflação mais alta, e ela acaba ocorrendo mesmo por causa dessa previsão).

"O boletim Focus sempre gera um efeito psicológico, e os produtores podem decidir elevar os preços já refletindo as estimativas que o relatório vem trazendo. Porém, é um fato que tem poucas chances de acontecer", afirma.

Para ajudar na desaceleração dos preços neste ano, Chaia diz que o governo poderia optar por reduzir seus gastos correntes, o que diminuiria a pressão sobre a demanda agregada, contribuindo para a queda dos preços.

"Mas acho difícil o governo optar por isso", diz.

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