Análise: instabilidade da Bolsa pede calma e investimento de longo prazo

Da Redação
Em São Paulo

O economista Conrado Navarro, criador do portal Dinheirama, avalia que, embora o mercado de ações esteja passando por fortes oscilações, quem já está investindo não pode se desesperar.

"O importante é o investidor ter em mente o quanto suporta perder. Se ainda estiver dentro do intervalo, não deve sair", diz.


O economista explica que diante da incerteza no mercado de ações, o investidor não pode nem ficar no extremo de muito otimismo nem de pessimismo demais. O importante é ter consciência de que está usando um dinheiro que não é emergencial e nem fará falta em caso de perda.

Outro passo fundamental, segundo Navarro, é o interesse do investidor pela economia mundial e pelo setor em que aplica seu dinheiro.

"É preciso ir atrás de informações econômicas, não ficar alienado e se interessar pelo o que está acontecendo, ler o noticiário, procurar informes", diz.

Navarro diz ainda que quem tem o perfil conservador deve investir, no máximo, 10% de seu capital em ações, enquanto para quem já está interessado em viver um pouco mais de risco, essa aplicação pode chegar até a 50%.

Iniciantes
O economista da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) Edmauro Oliveira, orienta o investidor iniciante a aplicar primeiramente em fundos de investimento, que considera mais seguros.

Ele aconselha que o investidor procure sempre a ajuda de uma corretora para auxiliá-lo.

A opção por ajuda profissional, aliás, também deve ser feita pelos investidores mais experientes, conforme opinião do professor.

"Mesmo o grande investidor deve procurar um profissional de corretora ou banco, pois devido ao risco que ele estará correndo, que será bem maior do que o do investidor iniciante, ele precisará de um suporte muito maior", diz.

Aplicações variadas
Diversificar o capital aplicado também é considerada uma regra importante.

"Aprendi que diversificar é muito bom. Não dá para investir 100% do seu capital em mercado de renda variável, pois aí podem ocorrer problemas como os que estão acontecendo agora nas Bolsas no mundo", diz o conselheiro do Corecon- SP (Conselho Regional dos Economistas do Estado de São Paulo) Cláudio dos Santos.

"Supondo que eu investisse tudo em renda variável e precisasse reaver meu dinheiro agora, se vendesse minhas ações, ia acabar ficando no prejuízo", avalia.

A composição ideal, segundo o professor, é 40% no mercado de ações e 60% em títulos públicos atrelados à taxa Selic.

"Em um cenário de inflação alta em que o governo põe o juro lá em cima todas as aplicações lastreadas em Selic acabam tendo um bom retorno", afirma.

Escolas
Entre a análise técnica, que costuma avaliar o gráfico de preços das ações e a fundamentalista, que analisa o setor a que a empresa dona de determinada ação pertence, o economista Conrado Navarro diz que não existe melhor ou pior.

"Na realidade, são duas escolas prestigiadas. Os investidores mais jovens costumam gostar mais da gráfica porque você enxerga em um gráfico algumas respostas para o momento de comprar ou vender ações", afirma.

Por outro lado, Navarro afirma que a escola técnica não tem muita teoria, o que pode fazer dela apenas um instrumento para quem deseja "brincar de investir".

"Para quem está investindo com o objetivo de juntar uma determinada quantia em um certo prazo, o melhor é a escola fundamentalista, porque mostra as estratégias das empresas e da economia mundial e dá para traçar um plano melhor", aponta.

Para o economista Cláudio dos Santos, a escola fundamentalista proporciona mais clareza sobre os investimentos da pessoa.

"Este tipo de escola sem dúvida é o melhor, pois você pode observar os fundamentos da economia, os fundamentos da empresa e o que está havendo no mundo. Quanto mais informação melhor", afirma.

O economista e professor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Fernando Ferrari Filho diz que, em momentos de incerteza na Bolsa, o melhor a fazer sempre é investir em ações de empresas consideradas extremamente seguras pelo mercado, que são as "blue chips".

(Ana Carolina Lourençon)

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