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Análise: crise nos EUA deve afastar investidores e ameaça até o PIB do Brasil

Ana Carolina Lourençon

Em São Paulo

A crise financeira nos Estados Unidos, agravada pelo pedido de concordata do Lehman Brothers, o quarto maior banco norte-americano, deve impedir que a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) retome os 52 mil pontos nesta semana. A avaliação é da economista da Tendências Consultoria Alessandra Ribeiro.

Segundo ela, a quebradeira de bancos no exterior, que já atinge 11 instituições menores, deve causar um imediato sentimento de aversão ao risco e culminar na saída de investidores da renda variável. Por isso, o patamar de pontuação que a Bolsa brasileira fechou na última sexta-feira não deve voltar a acontecer nos próximos dias.

"Poderemos ver uma debandada geral de investidores que vão procurar alocar seus recursos em aplicações mais seguras como os títulos do Tesouro dos EUA. A volatilidade no mercado de ações será muito grande nos próximos dias e é difícil imaginar a Bovespa se recuperando", afirma.

A retirada de recursos de países emergentes pelos investidores e a menor quantidade de dólares em circulação no mercado eleva a cotação da moeda e, principalmente no Brasil, deve gerar uma resposta imediata dos gestores de política monetária.

"O dólar mais caro eleva o preço de produtos e bens importados que chegam ao país, refletindo em inflação mais alta. Então, o Banco Central pode decidir elevar os juros, encarecendo o crédito e trazendo o Brasil para um ciclo de expansão menor", afirma.

Neste ambiente, as projeções mais otimistas para a economia brasileira começam a se deteriorar, segundo a economista. A conseqüência mais provável é um crescimento menor do PIB (Produto Interno Bruto) em 2009.

Se a crise financeira nos Estados Unidos contaminar os demais países, inclusive os emergentes, a expansão pode ser de no máximo 3%, contra os 4,5% previstos pelo governo para o período.

Segundo a economista, este seria um último reflexo dos problemas financeiros nos EUA e poderia levar a economia mundial a uma desaceleração muito maior que a prevista, interferindo, inclusive, na China e Índia, que podem sofrer com a restrição de crédito no mundo e reduzir os investimentos e importações.

Essa perspectiva pode se concretizar, segundo Alessandra Ribeiro, se o banco central dos EUA, o Fed, mantiver o que ele disse nesta segunda-feira, de que não vai mais salvar nenhum banco que não tenha chance de provocar o risco sistêmico, que é falência generalizada das instituições.

Nesta hipótese, a confiança do empresário e da sociedade norte-americana na economia diminuiria bastante, brecando os investimentos produtivos e o consumo. Com a demanda menor por produtos importados, países emergentes como o Brasil e a China perderiam um importante mercado consumidor, que é os Estados Unidos.

"É uma cadeia onde uma coisa puxa a outra. A aversão ao risco vai causar uma debandada geral dos investidores, que impacta em queda nas Bolsas e dólar mais caro. Os juros devem subir, causando desaceleração na economia mundial, o que vai prejudicar os exportadores e impactar negativamente no crescimento PIB dos países", diz.

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