BNDES estuda socorro a empresas que perderam com dólar em alta

Da Redação

Em São Paulo

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou nesta sexta-feira que a instituição pode ajudar as empresas exportadoras do país que tiveram problemas com derivativos cambiais (operações especulativas no câmbio), por causa do dólar em alta.

Segundo Coutinho, já há conversas entre o banco e algumas empresas afetadas pela forte valorização do dólar, mas o executivo não deu detalhes sobre como poderia funcionar essa ajuda.


"São empresas exportadoras que são robustas e de qualidade, que têm meios de solução com o sistema bancário privado e terão, se necessário, o suporte do BNDES para que nenhum problema de liquidez inviabilize empresas de grande qualidade e potencial", disse Coutinho a jornalistas.

Antes da eclosão da crise financeira, o dólar vinha caindo. Empresas como Sadia e Aracruz venderam contratos futuros de câmbio, apostando que a moeda americana fosse ficar com valor ainda mais baixo.

O intuito dessas empresas era, no vencimento desses contratos, que geralmente tinham prazo de um ano, comprar dólares a preços bem acessíveis para revendê-los a preços bem mais elevados para os compradores de seus contratos. Isso seria uma forma de a empresa lucrar com outros negócios além do seu principal.

Mas a disparada surpreendente da moeda, em razão da crise financeira global, causou prejuízos. A alta do dólar ocorreu porque, com a crise nos EUA, muitos investidores retiraram o dinheiro que possuíam em países como o Brasil para cobrir prejuízos no exterior.

Perdas milionárias
As empresas Sadia e Aracruz foram as primeiras a anunciar prejuízos com operações no mercado de câmbio. A perda da Sadia, que chega a R$ 760 milhões, provocou a demissão do diretor de Finanças e Desenvolvimento Corporativo da companhia, Adriano Lima Ferreira.

No caso da Aracruz, se os contratos fossem encerrados efetivamente no fim de seu prazo, a perda seria de R$ 1,95 bilhão.

O grupo Votorantim anunciou que precisou gastar R$ 2,2 bilhões para eliminar "totalmente" sua exposição a derivativos cambiais.

Empresas de alimentos brasileiras com forte atuação em exportações normalmente atuam com derivativos de câmbio buscando compensar (hedge/segurança) eventuais perdas em receita nas exportações geradas pela valorização do real frente ao dólar.

Mas no caso da Sadia, como reconheceu a empresa, as operações extrapolaram o hedge que seria adequado.

(Com informações de Reuters e Valor Online)

Receba o Giro UOL por e-mail

Em duas edições diárias, um resumo das notícias mais importantes para começar e terminar o seu dia. É só deixar seu e-mail e pronto!

 

UOL Cursos Online

Todos os cursos