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Mantega rejeita recessão e prevê expansão de 4% para o PIB em 2009

Piero Locatelli

Do UOL Notícias

Em Brasília

(Atualizada às 18h33)

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que os países emergentes e os da América Latina não vão entrar em recessão e afirmou que o Brasil ainda terá condições de crescer 4% em 2009. "Haverá uma desaceleração, mas não haverá recessão", garantiu.

Mantega falou hoje a jornalistas durante a reunião ministerial na Granja do Torto. Participam dela 34 ministros, o advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, os representantes do governo no Congresso e o presidente Lula desde as 9h30. A reunião continua durante a tarde.


O ministro da Fazenda fez uma apresentação da situação financeira brasileira para todos eles. Mantega pediu "para que todos os ministérios dêem sua contribuição para manter seus programas em vigência". Segundo o ministro, os gastos para o ano que vem já foram contingenciados, mas não devem afetar investimentos de infra-estrutura ligados ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Mantega também afirmou aos seus colegas de ministério que a "crise não é tão forte" no Brasil. "Muitas vezes a gente tem uma visão negativa ou pior do que ela se encontra por causa do panorama internacional", disse ele após afirmar que a economia do país é robusta. Mantega também acha que os investimentos do governo em infra-estrutura e nos setores que geram mais empregos, como agricultura e indústria automobilística, ajudará a manter a economia real mais distante da crise financeira.

Como ponto positivo do Brasil, Mantega citou também a redução na dívida. "Antigamente o dólar subia, a dívida explodia. Hoje quando sobe o dólar, como somos credores de dólares, a dívida cai, ao invés de subir."

Ele negou que o Brasil tenha feito pacotes contra a crise. "O governo procurou não fazer nenhum pacote, pois os pacotes têm uma marca negativa do passado. O que nós temos feito é responder às questões na medida em que elas se colocam", disse. Ele falou ainda que as medidas brasileiras servem para conter problemas pontuais. Como exemplo, citou a recente injeção de crédito na indústria automobilística.

Além de Mantega, também falou sobre a crise o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tratou da situação brasileira no G-20. Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, falou sobre o PAC, e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, discutiu estratégias de combate à dengue. Aproximadamente 15 ministros falaram após essas exposições. Segundo o ministro da Secretária de Comunicação do Governo, Franklin Martins, temas como Equador, Paraguai e enchentes em Santa Catarina não fizeram parte da pauta do encontro.

O presidente Lula justificou a reunião dizendo que era importante que os ministros reconhececem "o chão que estavam pisando", segundo o relato do ministro Mantega. Ele tratou especialmente da reunião do G-20, falando que todos os líderes precisam tomar medidas coordenadas para que a crise passe mais rápido. Lula citou o exemplo de dois países que já tomaram medidas que considerava exemplares: o Reino Unido e a Índia.

Para Lula, os países avançados estão mais vulneráveis nesta crise. Mas, mesmo em relação a outros países emergentes, a situação do Brasil seria melhor. Como exemplo de países em situação pior que a do Brasil, citou Coréia do Sul, Rússia e Índia.

Lula disse ainda, segundo Mantega, que o PAC é um programa anticíclico, ou seja, que ajuda a evitar que os piores efeitos da crise mundial sejam sentidos pelo Brasil. Finalmente, Lula disse que a situação de vácuo de poder nos EUA, com a transição do governo Bush para o governo Obama, é perigosa. Sobre a transição nos EUA, o ministro Mantega disse estar otimista com a indicação do novo secretário do Tesouro, Timothy Geithner.
(Com informações da Reuters)

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