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Risco do crédito aumentou com crescimento econômico, e não na crise, diz Meirelles

Da Agência Brasil

A visão de que o risco de crédito dos balanços dos bancos aumentou com a crise financeira mundial é equivocada: os riscos aumentaram em momentos de crescimento acelerado e de euforia, quando foram feitos empréstimos arriscados, sem análise adequada e com prestação equivocada.

A afirmação foi feita pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, na noite da última quarta-feira, em palestra para jovens empresários, segundo informações da Agência Brasil, vinculada ao governo federal.

De acordo com Meirelles, os problemas foram colocados nos balanços em momentos de euforia, e não de crise, e o prejuízo apenas se materializou quando veio a crise.

Na palestra, além de analisar a crise, iniciada no mercado imobiliário norte-americano e que se espalhou pelo mundo nos últimos meses, Meirelles esmiuçou todos os detalhes da situação da economia global, inclusive a do Brasil.

Para ele, embora enfrente problemas, o Brasil pode se sair bem da turbulência, porque tem situação econômica mais sólida do que muitos outros países, entre os quais os Estados Unidos.

Daí o otimismo com que se dirigiu aos participantes do 14° Congresso Nacional dos Jovens Empresários, reunidos no Centro de Convenções de Goiânia.

"As grandes realizações, os grandes vencedores, plantam suas raízes, fazem seu planejamento e começam, de fato, sua ascensão, em momentos de desaceleração do ciclo econômico", destacou.

Meirelles passou cerca de uma hora apresentando estatísticas e gráficos para justificar suas opiniões otimistas sobre as condições do Brasil para navegar na crise sem perder o rumo. Ele prendeu a atenção das cerca de mil pessoas que assistiram à palestra e, ao final, foi muito aplaudido.

As raízes da crise, na visão dele, não foram apenas os empréstimos problemáticos dos bancos norte-americanos, mas os "ativos tóxicos que foram comprados naquelas oportunidades, em momentos de euforia", e estão sendo cobrados agora.

Como exemplo, citou um casal de brasileiros com quem teve contato em uma viagem aos Estados Unidos. O casal se endividou com empréstimos que os americanos chamam de "ninja", no jargão do mercado: empréstimo para alguém que não tem emprego, não tem renda e não tem propriedade.

Segundo Meirelles, tais empréstimos foram feitos no pressuposto de que a economia continuaria em forte ascensão. Isso não ocorreu, muitos empréstimos não foram pagos e a crise começou.

O casal de brasileiros citado foi vítima dessa situação: ela, arrumadeira, e ele, jardineiro, ganhavam, cada um, cerca de US$ 2 mil por mês, e tinham "um padrão de vida adequado".

Compraram uma casa financiada por US$ 200 mil, e o corretor ofereceu um empréstimo bancário com juros baixos e sem amortização nos primeiros dois anos.

O casal só começaria a amortizar o empréstimo depois de dois anos, com "um ajuste na taxa de mercado". Passado esse tempo, e aconselhados pelo corretor, para aproveitar a valorização dos imóveis, tomaram outro empréstimo e compraram uma casa melhor.

Depois, financiaram a terceira casa, melhor ainda, e no final do processo, tinham acabado de comprar uma casa de US$ 700 mil.

"Quando chegou a crise, eles perderam a casa, perderam tudo que tinham gasto e ficaram numa situação trágica, do ponto de vista familiar. E o banco perdeu também muito dinheiro", resumiu Meirelles.

Para ele, a lição que fica do episódio é que um planejamento, seja pessoal, familiar, empresarial ou bancário, feito num pressuposto de euforia tem grandes chances de não dar certo.

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