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Demissões aumentarão na indústria, mas sem afetar comércio, diz economista

Ana Carolina Lourençon
Em São Paulo

O primeiro semestre de 2009 deverá registrar um elevado número de demissões no Brasil, por conta do agravamento da crise financeira no mundo e dos efeitos que essa turbulência traz na confiança dos empresários brasileiros, segundo análise do professor de derivativos e riscos Alexandre Jorge Chaia, do Ibmec São Paulo.

Por outro lado, Chaia acredita que a crise ainda não interferiu de forma significativa no poder de compra do consumidor, e por isso, o varejo brasileiro não deve sentir tanto os efeitos da desaceleração econômica mundial.


"O comércio ainda deve manter um bom nível de emprego, porque o mercado interno ainda está consumindo bem", afirma.

"O problema no Brasil é que o empresariado não consegue enxergar um horizonte de estabilidade que proporcione uma política de investimentos capaz de gerar mais empregos", diz Chaia.

Ele acredita que o setor exportador é o que deverá sofrer mais com cortes de pessoal nestes primeiros meses por conta da desaceleração do consumo nos países mais afetados pela crise e a escassez de crédito.

"O mundo está mais receoso e consumindo menos, por isso, as vendas brasileiras ao exterior já estão sentindo os efeitos e mostrando números menores", diz.

A constatação pode ser comprovada pelo desempenho do comércio exterior do início deste ano. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, a balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 12 milhões nos 11 primeiros dias de janeiro.

Melhora de cenário
Segundo o economista, o Brasil só deverá registrar novas contratações quando os demais países interromperem a criação de pacotes de incentivo econômico, em um sinal de que a crise já está ficando para trás.

"Enquanto novos planos de ajuda estiverem sendo lançados, o nível de investimentos e produção continuará muito baixo e, provavelmente, projetos que estavam na iminência de acontecer serão descartados. Novas medidas significam que ainda não chegamos ao fundo do poço para dar início a um processo sustentável de desenvolvimento", afirma.

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