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GM demite 744 temporários no interior de SP e empregados podem fazer greve

Da Redação
Em São Paulo

A General Motors demitiu ontem 744 funcionários temporários da unidade de São José dos Campos, no interior de São Paulo. O sindicato de metalúrgicos da cidade vai estudar respostas a essa decisão a partir de terça-feira, o que inclui a possibilidade de greve. A notícia das dispensas foi dada pelo sindicato e confirmada horas depois pela GM.

"Em decorrência da diminuição da atividade industrial em geral e, particularmente, no setor automobilístico, as previsões de vendas de veículos no mercado interno para o primeiro trimestre de 2009 estão sendo revistas, como reflexo da crise financeira internacional", destacou comunicado da montadora divulgado nesta segunda-feira (12).



"Diante dessa nova conjuntura de mercado e visando adequar os seus níveis de produção com a demanda prevista, a GM decidiu antecipar o final e não renovar o contrato" desses trabalhadores. Segundo o sindicato, os contratos foram iniciados em meados do ano passado e acabariam entre julho e agosto de 2009, sob um acordo que garantiu à GM isenções fiscais por parte do governo local.

O sindicato informou ainda que outros 58 trabalhadores já foram demitidos ou tiveram os contratos rescindidos desde a semana passada, sendo que uma das cláusulas do acordo firmado em 2008 previa que eles teriam que ser prolongados. O comunicado da GM não citou esses 58 funcionários. Devido às insenções dadas à montadora, o sindicato pretende cobrar uma atitude de amparo aos demitidos pela prefeitura de São José dos Campos.

Greves
Estão também entre as opções do sindicato assembleias, greves, passeatas e cartas aos governos estadual e federal. "A greve contra a demissão é uma necessidade. É uma das ferramentas que pretendemos usar. É necessária a resistência", disse Luiz Carlos Prates, secretário-geral do sindicato, em entrevista a jornalistas transmitida pela Internet.

O diretor do sindicato e funcionário da GM Vivaldo Moreira Araújo ressaltou que eventuais greves podem ser decididas a partir de terça-feira. "Amanhã (terça-feira) vamos realizar assembleia na porta da fábrica e nossa proposta é de uma mobilização. Pode ser de greve e pode ser de passeata... Devemos fazer também uma manifestação na frente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)", afirmou Araújo.

Segundo ele, em meio a seguidos anúncios de férias coletivas pela GM desde o aprofundamento da crise global no ano passado, o sindicato já havia mandando uma carta ao governo federal e agora irá reforçar a aproximação. "O governo já fez medidas para as montadoras, já deu bilhões de reais às montadoras, então elas não podem responder com demissões", acrescentou o diretor.

São José dos Campos
A unidade de São José dos Campos emprega cerca de 8.900 pessoas e produz modelos como Corsa, Zafira, Meriva e a picape Montana, informou o sindicato. A GM vinha optando por deixar trabalhadores em férias coletivas na unidade desde outubro. Desde esse período, segundo o sindicato, cinco períodos de férias coletivas foram anunciados pela companhia na fábrica. Atualmente 500 funcionários estão sob período de recesso.

A GM viu suas vendas de automóveis e comerciais leves caírem 1,3% em dezembro em relação a novembro, para 29.310 unidades. No mesmo período, as vendas de veículos novos vendidos no país pela indústria subiram 9,4%. A empresa disse no comunicado que "compromete-se" a dar prioridade à readmissão dessas pessoas caso as vendas se normalizem.

Socorro
Em dezembro, o governo dos Estados Unidos anunciou uma ajuda de até US$ 17,4 bilhões à General Motors e Chrysler. Este dinheiro faz parte dos US$ 700 bilhões que foram aprovados em setembro para resgatar o setor financeiro do país.

Os empréstimos terão que ser devolvidos se as montadoras não se mostrarem viáveis até 31 de março. As empresas não poderão conceder novos dividendos enquanto estiverem devendo para o governo.

Mas, apesar da ajuda substancial, o presidente-executivo da GM, Rick Wagoner, afirmou no último domingo que a empresa tem recursos suficientes para se manter até março, mas que pode ainda buscar um nova ajuda financeira adicional do governo norte-americano.

(Com informações da Reuters)

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