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Queda de 70% no preço do petróleo não beneficia consumidor de gasolina

Silvana Salles
Em São Paulo

(Texto atualizado às 18h30)

Entre julho e dezembro de 2008, a cotação do barril de petróleo tipo Brent no mercado internacional caiu 70%. No entanto, o consumidor brasileiro não viu esta queda ser revertida ao preço da gasolina na bomba (veja gráfico abaixo).

A variação da média do combustível no mesmo período foi de menos de um centavo de aumento, segundo dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo).



"Os preços não mudam porque é uma política do governo e da Petrobras", explica Walter de Vitto, analista de energia e petróleo da consultoria Tendências. "É uma decisão política".

A posição da Petrobras não nega a afirmação do analista. De acordo com nota da companhia, a política de valores cobrados pelos derivados de petróleo procura compensar a redução na margem de lucros de um setor com o aumento em outro, uma vez que a empresa opera em diversos pontos da cadeia petrolífera. Isso permite que os preços internos não sigam a volatilidade da "commodity" no mercado internacional.

Exemplo disso é que, entre janeiro de 2007 e julho de 2008, o barril de petróleo Brent (negociado em Londres) acumulou alta de 245%. Enquanto isso, o litro da gasolina teve aumento acumulado de menos de R$ 0,01.

Além disso, afirma a empresa, "nossa produção de petróleo é superior à demanda, oferecendo segurança do abastecimento interno, mesmo em um cenário mundial de oferta limitada e preços elevados".

Walter de Vitto, porém, acredita que os preços atuais na bomba não poderão ser mantidos por muito tempo.

"Acho difícil o governo não dar o reajuste [para baixo], até pela pressão política que deve sofrer por uma queda nos preços", opina.

"Na segunda-feira (02), a gasolina na refinaria era 27% mais cara no Brasil do que nos Estados Unidos", diz ele. Esse percentual considera os preços só nas refinarias, não nas bombas, diretamente para o consumidor.

"No 1º de maio do ano passado, o dia antes de passar a valer o último reajuste da Petrobras, o preço nas refinarias dos Estados Unidos era 27,5% maior do que no Brasil. E depois a diferença aumentou, o preço americano chegou a ser 35% maior".

Se forem considerados os preços nos postos de combustíveis, a gasolina no Brasil é mais cara: um litro sai por cerca de R$ 2,509 aqui, enquanto nos EUA custa o equivalente a R$ 1,122.

De Vitto afirma, no entanto, que essa comparação não é válida, por causa dos impostos diferentes que incidem nos dois países.

No Brasil, a Cide e o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) são alguns dos tributos.

Há também custos adicionais, como o frete da distribuidora, e a quantia que irá remunerar a porcentagem de álcool contida no combustível nacional. Segundo o analista, o certo é comparar os preços nas refinarias.

Petrobras não muda
Por sua assessoria de imprensa, a Petrobras nega qualquer mudança na política de não administrar as flutuações de mercado no "curto prazo".

"Não há nenhuma indicação de que o barril de petróleo continuará em queda. Isto porque a diferença entre a oferta e a demanda é tênue e não vêm ocorrendo descobertas para compensar a queda anual da produção, que é de cerca de 10%", afirma a companhia em nota oficial.

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