Bolsas

Câmbio

Escutas no caso Camargo Corrêa levantam suspeita sobre 7 partidos e obra em refinaria da Petrobras

Da Redação
Em São Paulo

Sete partidos políticos podem ter recebido doações ilegais da construtora Camargo Corrêa nas eleições municipais do ano passado. PSDB, PMDB, DEM, PP, PPS, PSB e PDT são mencionados na decisão do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal de São Paulo, responsável pelos mandados de prisão da Operação Castelo de Areia, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Federal contra crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

A empresa nega as acusações.

A Petrobras também aparece no caso, em gravações que, segundo a Justiça Federal, podem ser indícios de superfarturamento em uma obra de refinaria da empresa em Pernambuco.


Os partidos são citados em trechos de conversa legalmente gravada pela polícia entre o diretor da Camargo Corrêa Pietro Francisco Brunato Giavina Bianchi e assessores e funcionários de alto escalão da empresa.

Nos diálogos grampeados, eles tratam da distribuição de dinheiro a partidos políticos nas eleições do ano passado. Todos os partidos afirmam desconhecer doações irregulares.

Escutas apontam também que recursos teriam sido repassados às siglas com a intermediação da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Outra gravação envolveria a Petrobras em esquema de fraude. Foi gravada uma conversa entre dois diretores da empresa, Pietro Bianchi e Bruno Ferla, solicitando urgência no transporte de valores "em espécie" de São Paulo para Recife.

Segundo consta na decisão do juiz De Sanctis, à qual o UOL Notícias teve acesso, o diálogo poderia "guardar relação com indícios de superfaturamento em obras públicas na refinaria Abreu e Lima", da Petrobras.

A refinaria está em construção e deve ser inaugurada em 2011. Segundo o juiz, o transporte de dinheiro em espécie poderia estar sendo utilizado para dificultar o rastreamento dos recursos.

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) já havia apontado indícios de superfaturamento do contrato em questão e determinou a suspensão parcial de pagamento.

De Sanctis afirma que "muito embora tais fatos não tenham sido julgados de modo definitivo pelo Tribunal de Contas da União, o que chama a atenção para este processo administrativo são as ligações telefônicas interceptadas exatamente no mesmo período".

Em nota divulgada nesta quarta-feira, a Petrobras afirma que "contratou consórcio liderado pela empresa Camargo Corrêa para obra de terraplanagem da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco".

A empresa cita a auditoria do TCU.

"A Petrobras considera que não há sobrepreço e superfaturamento na obra, mas acatou determinação do TCU e suspendeu o pagamento. Imediatamente iniciou o processo de defesa, contestando as irregularidades apontadas pelos auditores do tribunal. O processo ainda está em curso", finaliza a nota.

A Operação Castelo de Areia prendeu quatro diretores e duas secretárias da construtora Camargo Corrêa, uma das maiores do país, nesta quarta-feira por suspeita de envolvimento em um esquema de remessa ilegal de dinheiro para o exterior por intermédio de doleiros que atuam no Brasil e fora do país.

Além deles, outras quatros pessoas presas pela Polícia Federal em São Paulo e no Rio de Janeiro. Essas quatro pessoas foram identificadas como sentdo os doleiros Kurt Paul Pickel, José Diney Matos, Jadair Fernandes de Almeida e Maristela Sum Doherty.

A operação investiga os crimes de evasão de divisas, operação de instituição financeira sem autorização, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.

De Sanctis é o mesmo juiz que mandou prender os suspeitos envolvidos com os crimes apurados pela Polícia Federal na Operação Satiagraha, em julho do ano passado, entre eles o banqueiro Daniel Dantas e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta.

Em entrevista coletiva sobre a operação, a Polícia Federal informou que não investigava a relação da empresa com partidos políticos. No entanto, os trechos de diálogos sobre as doações às siglas estão todos reproduzidos no texto da decisão do juiz De Sanctis.

Ainda conforme a decisão, diretores da construtora fizeram contato com o representante da Fiesp, em Brasília, para defender os interesses da Camargo Corrêa com os políticos.

"Suspeita-se que a empresa Camargo Corrêa, eventualmente por meio de seus diretores, teria mantido contatos com a Fiesp para a suposta distribuição de valores a políticos e/ou partidos políticos", diz a decisão.

"Os diálogos monitorados revelam em princípio tratativas e possíveis entregas de numerários supostamente a políticos e a partidos políticos oriundos, em tese, da empresa Camargo Corrêa, com a suposta intermediação da Fiesp, direta ou indiretamente", completa o juiz.

Em outro trecho da decisão, é citada uma doação ao PMDB do Pará no valor de R$ 300 mil.

Outro lado
Em nota, a Camargo Corrêa manifestou "perplexidade" diante da "invasão" de sua sede em São Paulo pela Polícia Federal.

"O grupo reafirma que confia em seus diretores e funcionários e que repudia a forma como foi constituída a ação, atingindo e constrangendo a comunidade Camargo Corrêa e trazendo incalculáveis prejuízos à imagem de suas empresas", diz a nota.

A empresa também se queixa de não ter acesso a documentos que autorizem a ação da PF e ressalta que "a Camargo Corrêa cumpre rigorosamente com todas as suas obrigações legais".

O PSDB também divulgou uma nota, dizendo que "em diversas campanhas eleitorais" o partido recebeu doações da empresa Camargo Corrêa.

"Todas dentro do que determina a lei e declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme prestações de contas que estão disponíveis inclusive na internet. O PSDB desconhece que qualquer empresa ou doador tenha atuado fora dos limites legais e condena tal procedimento." Leia a nota do PSDB.

PPS e DEM também negaram ter recebido doações ilegais.

No Senado, o líder do DEM, José Agripino Maia (RN), confirmou que seu partido recebeu R$ 300 mil da Camargo Corrêa, em 2008, para o financiamento de campanhas municipais no Rio Grande do Norte. De acordo com o senador, a doação foi legal.

Em nota, o presidente do DEM, Rodrigo Maia, afirmou que o comando do partido desconhece e jamais aceitou qualquer doação ilegal para campanhas eleitorais.

"Todos os atos relativos às eleições, foram feitos de acordo com as leis do país", diz a nota.

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber as principais notícias do dia de graça pelo Facebook Messenger? Clique aqui e siga as instruções.

UOL Cursos Online

Todos os cursos